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Mostrando postagens com o rótulo Igor Dias

Rola alheia - Igor Dias

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Rola alheia                                                  (A cena é protagonizada por Cadu e Celina, durante um café da manhã. Ao longo da cena, Celina passa de um estado tranquilo ao de uma preocupação verdadeira, com rompantes histéricos. Cadu sustenta durante a cena inteira uma postura dúbia, confundindo o espectador entre a seriedade e o sarcasmo. O diálogo, que deverá ser lido por duas pessoas, começa pela fala de Cadu) - Celina, não vai tomar café hoje? - Já vou, amor. - Olha, eu pensei muito por esses dias no que você me disse. Acho que podemos negociar a rola alheia. - Sério, Cadu? - Sério. Tenho tentado me convencer de que a monogamia é só mais uma coisa culturalmente imposta pela sociedade opressora e blablablá. - Nossa,...

Prédio de cinco andares - Igor Dias

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Prédio de cinco andares Cobertura: Fátima e Lourdes são casadas há vinte anos e acabaram de adotar uma menina. Chamaram-na de Ruth, sob os protestos de todos os seus amigos, que diziam que Ruth era nome de velha. 501: Seu Pedro está há dois dias morto dentro do apartamento, sem despertar a suspeita dos vizinhos. 502: Felisberto toca flauta transversa e faz mestrado em música popular. Mora com a mãe, Dona Avelina, surda e reclamona, de sorte que Felisberto cogita levá-la para um asilo. 503: Úrsula é vendedora numa loja de roupas. Estuda administração e recebe a visita do seu namorado, Isaías, regularmente às segundas, quartas e sextas. 504: Teresa é professora de química numa escola estadual. Seus dois filhos moram em Goiânia, onde foi criada. Teresa morre de saudades de Goiás. Semana passada, um aluno apontou uma arma para a sua cabeça. 401: Ricardo e Clementina moram juntos há dez anos e não são casados no...

A filha da Deise Doraci - Igor Dias

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A filha da Deise Doraci Estávamos eu e o Prof. Almeida na biblioteca central da cidade. Eu tinha treze anos. Ele havia me recomendado “Menino de engenho”, de José Lins do Rego, que nunca terminei de ler. É claro que, na hora, querendo a todo custo sustentar minha carapuça de erudição, disse que o leria. Tomei o volume emprestado com a dona Rosalva, bibliotecária que eu já conhecia de longa data, tanto quanto possa fazer sentido dizer ‘longa data’ quando minha vida ainda mal se abrilhantava de tão curta, tão estreita. Era estranho que eu me sentisse tão à vontade com o Prof. Almeida. Eu o acompanhava quando ele saía da sala de aula, e, na minha cabeça, o que fazíamos era nada mais do que tentar engendrar uma amizade. Eu o admirava, e era só. Minha mãe não aprovava nossa amizade. Dizia que eu era muito nova, que eu iria ficar falada, que nenhum menino iria me querer. Sei que no fim das contas a imagem com a qual ela mais se preocupava era a dela própria: “Olha lá a filhi...