Mrs Dalloway, por Virginia Woolf
Mrs. Dalloway Virginia Woolf Mrs. Dalloway disse que iria ela mesma comprar as flores. Pois Lucy já tinha muito o que fazer. As portas seriam tiradas das dobradiças; os homens da Rumpelmayer 1 estavam para chegar. E então, pensou Clarissa Dalloway, que bela manhã — tão fresca como se feita sob medida para crianças na praia. Que farra! Que mergulho! Pois era assim que costumava se sentir, com o leve ranger das dobradiças, que ainda podia ouvir, quando escancarava a porta francesa e mergulhava no ar fresco de Bourton 2 . E como era fresco, e calmo, decerto mais tranquilo que este de agora, o ar de manhã cedinho; como o bater de uma onda; o beijo de uma onda; frio e cortante e, todavia (para a moça de dezoito anos que era à época), solene, ainda que sentisse ali, à beira da janela, que algo terrível estava por vir; olhando as flores, as árvores com a névoa que delas se evolava e as gralhas que subiam e desciam; ali, olhando, até que Peter Walsh disse, “Meditando em mei...