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Mostrando postagens com o rótulo abril 2020

Uma luta, por Ana Claudia Calomeni

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A luta humana, se resumida, não passa da luta do ser contra ele mesmo. As forças negativas, nestes tempos mais acirradas, empurram as positivas pro meio da escuridão. O ser mais racional vai me chamar de maniqueísta, vai dizer que simplifico as coisas. E eu vou ter que concordar. Sim, eu simplifico as coisas. E, sim, é uma construção maniqueísta de mundo. Quem não está sujeito a maniqueísmos que atire a primeira pedra. Quem nunca dividiu seus dias em bons e ruins? Como foi o seu dia hoje? Péssimo, respondo, é a minha rápida análise sobre um dia de extensas 24 horas em que mil coisas acontecem (talvez eu deva me exercitar pras sutilezas). Quem nunca sentiu vir lá do fundo da alma aquela pontada diante de um desejo prestes a se realizar e uma voz: isso não vai dar certo. É disso que falo. Há sempre um outro em mim que torce contra, que puxa tapete. Reconhecêlo é fundamenta...

Live, por Guilherme Preger

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Live Youtuber: Pessoal, estamos abrindo agora a live no nosso canal com o dr. Coriolano, especialista em medicina, que irá nos falar sobre as últimas instruções sobre a pandemia. Boa tarde, dr. Coriolano! Dr. Coriolano: Boa tarde amigos. É uma felicidade estar dividindo esse espaço aqui com vocês, logo através do espelho digital.  Youtuber: Dr. Coriolano, nossa comunidade está ansiosa sobre seus aconselhamentos. Queremos saber exatamente durante quanto tempo ainda teremos que aguentar esse confinamento forçado?  Dr. Coriolano: Construímos dois cenários, um otimista e outro pessimista. Gostaria de começar pelo otimista. Segundo nossos especialistas, deveremos ficar em confinamento até o dia 21 de abril de 2023, às 15h e quarenta e dois minutos, quando o número de infectados alcançará o limiar de  segurança.  Youtuber: Dr. Coriolano, teremos que ficar confinados até 2023, sem nenhum período de relaxamento?  Dr. Coriolano: Exatamente, sem período de relaxamento. Es...

Por que escrevo, por Eduardo Galeano

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Por que escrevo Eduardo Galeano. Amaraes. Porto Alegre: L&PM, 2019. pp.160-161 Quero contar a vocês todos uma história que, para mim, foi muito importante: meu primeiro desafio no ofício de escrever. A primeira vez que me senti desafiado por esta tarefa. Aconteceu no povoado boliviano de Llallagua. Eu passei um tempinho lá, na zona mineira. No ano anterior, e lá mesmo, tinha acontecido a matança de San Juan, quando o ditador Barrientos fuzilou os mineiros que estavam celebrando a noite de San Juan, bebendo, dançando. E o ditador, lá dos morros que rodeiam o povoado, mandou metralhar todos eles. Foi uma matança atroz e eu cheguei mais ou menos um ano depois, em 68, e fiquei por lá um tempinho graças às minhas habilidades de desenhista. Porque, entre outras coisas, eu sempre quis desenhar, mas nunca ficava bom o suficiente para que sentisse o espaço entre o mundo e eu. O espaço entre o que eu conseguia e o que eu queria era demasiado abismal, mas eu me dava mais ou m...