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Beije-me antes de partir, por Gabriel Cerqueira

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Em um bar barato em Lincoln Park, Chicago, numa noite chuvosa de quarta-feira. A conversa foi interrompida pela chegada de um homem sorridente e olhar gentil. Era Johnnie, um produtor musical que havia ganhado certa fama por causa de algumas boas apostas em cantores de rua. Nos conhecemos ainda na universidade. Não éramos próximos, transamos algumas vezes, mas pela boca dos outros ele conheceu até meu passado pelas noites de Detroit. At Detroit they don’t have any mercy. They just want your pussy. Na última vez em que nos vimos ele disse que arranjaria algum modo de ganhar dinheiro e voltaria para me buscar. Não acreditei em nenhuma palavra dele. Só que Johnnie voltou, o motivo ninguém sabe. Bebo um gole de cerveja e dou um trago no cigarro. Motivos à parte, Johnnie está em cima de mim na minha cama. Como as intenções sobre meu corpo sempre são de segunda nunca neguei uma boa foda. Ele começou por cima, beijando meu pescoço e seios, demorou-se nos mamilos rijos, me lambeu at...

Claus, por Gabriel Cerqueira

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– Viajo a outro planeta quando me sinto enclausurado – disse João, um cara de 21 anos, a Paulo, seu psicólogo. – Interessante. E ele se parece com a Terra? – Em algumas coisas, sim. Outras, não. Vou te contar como é - João se ajeitou na poltrona e continuou: – Os habitantes são parecidos conosco, talvez até sejam humanos, e há cidades, áreas rurais... Numa das cidades há uma calçada da fama parecida com a de Hollywood , só que lá as estrelas são de verdade. Da última vez em que a visitei ela estava interditada porque duas estrelas se tornaram supernovas e a mais antiga virou um buraco negro. Tinha gente que tirava fotos de longe, mesmo correndo o risco de se queimarem ou serem sugadas. Mas valia a pena, era bonito. – O que mais há lá? – perguntou Paulo enquanto fazia suas anotações. – Há um reality show em que os participantes precisam levar um anel até um vulcão e jogá-lo na lava enquanto outro time precisa impedi-los. Não parece ser uma produção original. – Não mesmo...

Do Alto, por Gabriel Cerqueira

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O azul do céu parece um mar invertido que se cansara da Terra e decidiu fugir para o paraíso. Lá e cá ele é pontilhado pelos passarinhos que vem e vão semeando seus cantos por onde passam, bailando e brincando. A paisagem revela o verde das plantas que vai até o horizonte, sendo cortado apenas pelo ocre das estradas de terra, pelo branco das casas e pelas mais diversas cores de flores nos campos e das frutas que caíram maduras no chão. Ana e Miguel caminham por uma dessas estradas. Suas peles são douradas, seus sorrisos são alvos. Peles de Sol, sorrisos de Lua. Eclipses, ambos são noite e dia. A conversa animada dita o passo tranquilo no ritmo da cidade do santo. Eles caminham descalços para sentir a terra úmida e tudo o que ela tem a dizer em seu idioma a nós oculto. Um cachorro late, fingindo-se de feroz, em frente a uma casa antiga e simples com uma cerca de bambu. Miguel se abaixa e sorri, assobia e estala os dedos. O cãozinho se aproxima e lambe uma das mãos do novo am...