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Mostrando postagens com o rótulo abril 2021

Três esquetes para períodos pandêmicos, por Guilherme Preger

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  Três esquetes para períodos de confinamento Personagens: M:Mulher. H:Homem. Local: cidade da América do Sul. Tempo: Futuro distante. Situação: Pandemia misteriosa e letal obrigou os seres humanos de todo o planeta ao confinamento em seus apartamentos e casas por anos. Esquete 1: Contatinhos M: Amor, o que você tanto vê no seu celular? H: Amor, estou escrevendo meus posts filosóficos e políticos. O que mais tenho para fazer? M: Ah, deixa eu olhar... H: Não! Assim, você me desconcentra e eu não consigo escrever. Não tem nada mais útil para fazer? M: Ah, eu já sei. Você está é novamente falando com seus contatinhos, né? Deixa eu ver. Onde estão aquelas biscoiteiras? H: Como assim, biscoiteiras, Amor? Eu não conheço biscoiteiras. Tenho apenas amigos e amigas. M: Mentira! Você fica aí conversando com seus contatinhos que eu sei. E você virou o maior de todos os biscoiteiros! Por que você postou aquela foto sem camisa na rede social, hem, hem? Você pensa que eu ...

Os Demônios, por Fiódor Dostoiévski (trecho)

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  Contexto: por volta de 1870, na Russia, um niilista/anrquista/socialista?  tenta criar um grupo para desestabilizar o governo e a sociedade. No trecho selecionado ele  conversa sobre o assunto com um possível participante. “_ Quer dizer então que a coisa está andando com dificuldade? Há obstáculos? _ Andando? Não podia ir melhor. Vou fazê-lo rir: a primeira coisa que surte um efeito terrível é o uniforme. Não há nada mais forte do que um uniforme. Eu invento de propósito patentes e funções: tenho secretários, agentes secretos, um tesoureiro, presidentes, registradores e suplentes _ a coisa agrada muito e foi magnificamente aceita. A força seguinte é o sentimentalismo, é claro. Sabe , entre nós o socialismo vem se difundindo predominantemente por sentimentalismo. Mas aí há um  mal, esses alferes com mania de morder; de vez em quando a gente esbarra neles. Depois vêm os vigaristas genuínos; bem, esses são uma gente boa, às vezes muito proveitosa, mas se perde muito t...

Minha mulher e o meu nariz, por Luigi Pirandello

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  Minha mulher e o meu nariz – O que você está fazendo? – perguntou minha mulher ao me ver demorar estranhamente diante do espelho. – Nada, – respondi – só estou olhando aqui, dentro só meu nariz, esta narina. Quando aperto, sinto uma dorzinha.  Minha mulher sorriu e disse: – Pensei que estivesse olhando para que lado ele cai.  Virei-me para ela como um cachorro a quem tivesses pisado o rabo. – Cai? O meu nariz? E minha mulher respondeu, placidamente: – Claro, querido. Repare bem: ele cai para a direita. Eu tinha 28 anos e sempre, até então, havia considerado o meu nariz, se não propriamente belo, pelo menos bastante decente, assim como todas as outras partes da minha pessoa. Por isso era fácil admitir e sustentar o que normalmente admitem e sustentam todos os que não tiveram a desgraça de nascer num corpo disforme: que é uma idiotice se preocupar com as próprias feições. A descoberta repentina e inesperada daquele defeito me irritou como um castigo imerecido.  Talve...