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Vida Sertaneja, de Cecília Mouta

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A luz da lua sombreava, feito pintura, qualquer coisa que se atrevia a emergir naqueles vastos campos, agora negros, pela noite. A paisagem que se formava era quadro digno de memória. Dava dó de passar ali no meio e estragar a obra da natureza, mas a vida não é arte, e os compromissos não esperam.             A barba por fazer coça o meu rosto feito urticária das “brabas”, mas não gosto de mim sem ela, então, só raspo quando vejo a loucura se aproximar em cima de boi “brabo”. E põe “brabo” nisso! Esses dias o Demônio danou a correr atrás de Jeremias, o rapaz que costumava me ajudar a botar o rebanho pra pastar nas terras mais distantes. Jeremias, que não é bobo nem nada, danou a correr também. Mas o pobre do rapaz foi ser filho de nordestino e puxou essa tal de genética das pernas curtas. Foi o tempo dos meus cílios se separarem para o chifre do Demônio perfurar sua pele maltratada. O berro de Jeremias era mais potente que berr...

Entremeio com o vaqueiro Mariano, de Guimarães Rosa

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“Em julho, na Nhecolândia, Pantanal de Mato Grosso, encontrei um vaqueiro que reunia em si, em qualidade e cor, quase tudo o que a literatura empresta esparso aos vaqueiros principais. Típico, e não um herói, nenhum. Era tão de carne-e-osso, que nele não poderia empessoar-se o cediço e fácil da pequena lenda. Apenas um profissional esportista: um técnico, amoroso de sua oficina. Mas denso, presente, almado, bom-condutor de sentimentos, crepitante de calor humano, governador de si mesmo; e inteligente. Essa pessoa, este homem, é o vaqueiro José Mariano da Silva, meu amigo. Começamos por uma conversa de três horas, à luz de um lampião, na copa da Fazenda Firme. Eu tinha precisão de aprender mais, sobre a alma dos bois, e instigava-o a fornecer-me factos, casos, cenas. Enrolado no poncho, as mãos plantadas definitivamente na toalha da mesa, como as de um bicho em vigia, ele procurava atender-me. Seu rosto, de feitura franca, muito moreno, fino, tomava o ar de seriedade, meio em excesso,...