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Mostrando postagens com o rótulo janeiro 2021

A Caixa, por Guilherme Preger

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  O doutor Adolfo Minguela, médico, formado na Universidade Gama Filho no Rio de Janeiro e doutor pós-graduado em Epidemologia na Freiburg Universität, na Suíça, olhou aquela caixa de caixas. Eram 100 caixas coloridas de verde e amarelo no interior da grande caixa preta. Ele pensou na antiga caixa de Pandora, que na verdade não era caixa, mas um vaso, ou uma ânfora, semelhante a uma vagina. Epitemeu abriu o vaso e de dentro escaparam os eflúvios de Pandora, que desgraçaram a humanidade. Faltou apenas a esperança que permaneceu no vaso. A esperança é aquela que permanece. A mensagem do Ministério era transparente como um comando: as caixas foram fornecidas gratuitamente, pagas por empresas que preferiram se manter no anonimato e deveriam ser distribuídas imediatamente. Os médicos precisavam enviar relatórios semanais do destino da distribuição e de quantos pacientes (na medicina não existem doentes, apenas pacientes) estavam sendo atendidos. No entanto, não havia espaço para rel...

O sol de Breda, por Arturo Perez Reverte

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O Sol de  Breda- de Arturo Perez Reverte, Companhia das Letras, 2010, SP Assim foi como tudo se deu, na noite em que Sebastián Copons degolou o holandês ferido e eu afastei a mão do capitão Alatriste do meu ombro. E assim foi também como franqueei, quase sem perceber, aquela estranha linha de sombra que todo homem lúcido termina cruzando mais cedo ou mais tarde. Ali, em pé e sozinho ante o cadáver, comecei a enxergar o mundo de maneira muito diferente. E me vi na posse de uma verdade terrível, que até aquele momento só pudera intuir no olhar glauco do capitão Alatriste: quem mata de longe ignora tudo sobre o ato de matar. Quem mata de longe não extrai nenhuma lição da vida nem da morte: não arrisca, não mancha as mãos de sangue, não ouve a respiração do adversário, nem lê o horror, a coragem ou a indiferença em seus olhos. Quem mata de longe não põe à prova seu braço, nem seu coração, nem sua consciência, nem cria fantasmas que depois ressurgirão à noite, pontuais no encontro, pelo...

Hell, por Lolita Pillé

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Hell – Lolita Pille A gente tenta se distrair, fazer a farra, a gente procura o amor, acha que o encontrou, e depois vem a recaída. De muito alto. A gente tenta brincar com a vida para fingir que a domina. A gente anda rápido demais, andamos à beira do abismo. Cheiramos pó em demasia, beirando a overdose. Isso assusta os nossos pais, que veem seus genes de banqueiros, grandes executivos, homens de negócio, se degenerarem a esse ponto, é uma coisa inacreditável para eles. Tem uns que tentam fazer alguma coisa a respeito, outros desistem. Tem uns que nunca estão presentes, que  nunca abrem a boca, mas que assinam o cheque no final do mês. E são detestados pela gente por tanto e por tão pouco. Darem tanto para que a gente se foda por aí e tão pouco daquilo que realmente importa. De forma que a gente acaba sem saber justamente o que importa. Os limites se perdem. A gente é uma espécie de elétron sem núcleo. Temos um cartão de crédito no lugar do cérebro, um aspirador no lugar do nariz,...