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O rabo da neguinha - Cláudio PS

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O rabo da neguinha A mulher não quer simplesmente dar. A mulher não quer ser usada, Carlos. Ela quer gozar, Carlos. Gozar entende? Aí você vem com o papo de que era uma variação das brincadeiras da cama. Por que sexo é o brinquedo. O brinquedo natural. Homens e mulheres nascem com as peças de encaixar. Afinal, o que é importante, Carlos? Além do necessário, morar, se alimentar, vestir, cuidar da saúde, acreditar em Deus? - Não sei, Márcia. Ele respondendo isso deitado na cama folheando uma revista semanal.  - Você sabe, Carlos, sabe sim. Respeito, Carlos. Que Você me respeite! Quer um rabo? Procure uma neguinha na rua! Eu sei, você me enganou uma vez dizendo que “escorregou pra lá” e só parou por que a campainha tocou e eram aqueles malditos crentes falando do fim do mundo e aquela coisa de se arrepender. Você foi e as duas senhoras saíram correndo quando você abriu a porta e viram você pelado com o pau duro pra fora com bosta na ponta, rindo cinicamente. - Eu estava...

Pós-Clube (27/ 10/ 15)

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Guido Brasil, Rodrigo Vrech, MC Cláudio PS, autor convidado Bolívar Torres e Gustavo. Fotos por Luiz Alberto Benevides

Cem anos de solidão - Gabriel Gárcia Marquéz

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Cem anos de solidão Recomendação de leitura por Claudio PS Numa noite de dezembro de 2013 fui presenteado com um exemplar. Muitas vezes fugi do livro, temendo me apaixonar e viver o luto do término da leitura, leitura essa que previ ser difícil por que as sequencias de aparecimentos de novos personagens me confundiam, desde os primeiros capítulos. Uma amiga falou de uma genealogia disponível na Internet. Recusei silenciosamente. Milhões de leitores não a usaram, por que eu usaria? Não era presunção, mas eu queria testar a mim mesmo, passar pelo batismo de fogo. Enquanto dirigia numa estrada mexicana, foi que Gabriel Gárcia Marquéz, vislumbrou a frase de abertura de “Cem anos de solidão”: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”. Cien años de Soledad, mil novecentos e sessenta e sete. América Latina envolta em anos de chumbo. Era difícil son...

Sobrado, ou a escada que lhe cabe - Cláudio PS

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Sobrado, ou a escada que lhe cabe. A casa velha em que ele mora tem uma escada de exatamente onze degraus da porta até o primeiro corredor. Do ponto de ônibus até em casa são vinte e dois passos. Da casa ao trabalho cinquenta minutos. De casa até o cemitério mede-se uma vida. Talvez menos. Como está ficando velho, se durar menos que uma vida, que é um valor relativo, não deve fazer mal. Quero dizer, diante da falta de sinais de felicidade, era como se estivesse semi-morto, automático e timorato. Taciturno e macambúzio.  Afinal, a vida é um arroubo, um rompante, entre uma primeira inexistência e outra inexistência. A primeira não dói. A segunda, como é esperada e temida, talvez. Mas a dor não é nela em si. A maioria das pessoas lá fora são estômago e genitália, ele diz. Churrasco e cerveja. Pagode e novela. Funk proibidão. Mulher de shortinho no comercial. Futebol e feijoada. Não completa, claro. Feijão e duas ou três peças de carne, no máximo. Linguiça sem trema. U...

O Desafio - Cláudio PS

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O Desafio Fique velho, foi o que lhe disseram. Grande vantagem, pensou. Cinquenta e cinco anos, não aposentado. Contabilista. Separado, um filho que não quer saber dele. A casa do avô materno aos finais de semana é mais divertida, ele lhe disse. Sem sono, foi para o bar. Sentou-se, pediu uma cerveja long neck, distrair-se vendo um jogo de futebol qualquer. Quando ela apareceu. Vestido preto com uma sobrepele rendada. Olhou em seu olhos e perguntou: Me disseram que joga xadrez, é verdade? Mal, mas jogo, respondeu. Sem pedir licença, sentou-se diante dele e armou um tabuleiro. Ela sempre sorrindo. Lógico, havia alguma armadilha. Mas pensou: seja o que for, “ o que será, será, whatever will be, will   be”. Ela pegou um peão em cada mão e cruzou-as. O código conhecido para sortear quem fica de brancas ou pretas. Ele tocou a mão direita. Ela abriu a mão. Peão negro. Ele arrefeceu o semblante. - Preferia jogar de brancas?, perguntou num ar ameaçador. Penso...