Perguntas de Curumim
Por: Eduardo Villela Pedro deitou a folha de papel em branco diante de si, no chão da sala. Queria criar uma fábula sobre adultos. Uma fábula em que as pessoas apenas afirmavam, nunca faziam perguntas. Os adultos eram assim, para ele. Os amigos dos pais que visitavam a casa à noite não faziam perguntas, só diziam coisas. Não sabia ainda se ia desenhar ou contar a história em texto. Ou se os dois juntos. As pessoas que iam lá só tinham algo a dizer, nunca a saber. Por que eram desse jeito, ele não sabia responder. Precisava compreender isso rápido, antes de ficar adulto. E se amanhã, de repente, eu virar adulto e não mais poder perguntar isso, também? Nunca vou saber? A fábula era sobre uma aldeia em que não se fazia perguntas. Podia se passar nos dias de hoje, no futuro, antigamente. Mas era uma tribo que vivia no meio da floresta, sem ninguém por perto num raio de muitos quilômetros. Eles qua...