Aristeu, por João Mattos
Aristeu, no primeiro dia de aula. Aristeu, companheiro de carteira escolar, com dificuldade de pegar no lápis. Para mim era fácil, vinha de uma casa de professora, tinha lápis de cor, papel e cartolina, giz de cera à vontade. "Mas essa gente é muito bronca", dizia minha mãe. E teve o dia de fazer a primeira cópia. A história de Oscar, seu barco e seu cãozinho. Da lousa para o caderno, capricho e atenção. Eu terminei, os colegas terminaram. Aristeu, com seus garranchos, nunca chegava. "Muito devagar, muito devagar!", censurou a professora. Aristeu ria, um riso sem graça. A casa de Aristeu era lá pra baixo, quase na beira do rio. Isso era recente, dois anos antes moravam na roça, no bairro dos Sete Fogão. Minha mãe corrigia: "Sete Fogões". Mas não tinha jeito não, o nome do lugar era Sete Fogão mesmo. Aristeu e as brincadeiras no pátio. E na volta da escola, passar pela praça, subir na mangueira, jogar pedras no laguinho dos peixes. Aristeu era danad...