O cubo, por Camilla Agostini
O Cubo Camilla Agostini Nasceu para ser um cubo. Mas era também de gelo. Vivia nas bandejas plásticas de congelador, próprias para cubos. Às vezes vinha refrescar um suco. Era um prazer especial mergulhar naquele sumo morno com suas fácies geladas, quando espirravam gotas para fora do copo. Depois rodar de um lado para o outro dentro da boca humana, empurrado pela língua contra o macio da bochecha. Fazê-la gelar e então ser cuspido no vazio do copo. Quando não passava de um resto. Voltava correndo para a bandeja antes de desvanecer. Pedia que lhe completassem de água e que lhe deixassem quieto no recinto gelado até que pudesse ser útil novamente. Até um dia que foi servido numa mesa bonita e escapou sobre a toalha ao lado de uma vela acesa. Ela era muito alta, então não fazia mal. O cubo de gelo, com suas paredes ainda em riste, admirado confessou: – Sua chama é bonita. Estou cansado de sempre me esvanecer. Você também passa por isso? – Não sei do que está falando, me acenderam agora a...