Os consanguíneos - Maria Leão
Os consanguíneos Suas costas lhe doíam, já faziam mais de quatro horas naquela mesma posição curvada tentando acertar o encaixe da manga. A máquina é velha, sem os recursos que são ofertados nas novas, mas o ponto é bom. O canto do motor também é bom. Como se apreciar ponto e canto pudesse garantir a resolução da manga. Logo a manga essa palavra homonímia, que existe para provocar confusão nos delineados ao ponto e canto de fazê-los acreditar que o objeto da contenda pode vir a ser, em delirante hipótese, o preparo de um sorvete, ou a produção em série de revistinhas japonesas. Tudo bem! É roupa mesmo. Ou parte dela, cujo encaixe esta impossível. É ‘bem feito’ para quem não quis atender o tempo quando o segredo estava disponível. Com tanto pano pra manga, resta agora acreditar que o segredo está no sangue, aquele mesmo que vem do corpo de seus antepassados e agora se faz presente e líquido, direto até a ponta de seus dedos para firmar o encaixe, sem passar por questõ...