Amy aos treze (ou como se cria uma Diva), por Guilherme Preger
Amy gostava de passear no táxi do Pai cruzando os subúrbios de Londres aos domingos. Ele reservava exclusivamente o táxi para sair com a filha (ele tinha mais um garoto, Alex, dois anos mais velho do que Amy), como programa de fim-de-semana paterno, compensação da sempre mal digerida separação com a mãe dos garotos, quatro anos antes. O passeio de automóvel se mantinha para a então mocinha de treze anos como o último laço da infância além das bonequinhas pinup tipo década de 50 que agora pendiam de suas orelhas. Iam ouvindo Frank Sinatra e Dinah Washington e cantarolando os sucessos de jazz e R&B de que gostavam tanto. Enfim a mocinha já não era mais uma menina e o corpo apresentava as curvas esculpidas pela produção química incessante da tiróide. O processo era irreversível: a forma mulher desenhava sua presença inquietante no banco do carona. Os seios, em particular, se avolumavam; mas ainda estavam lá, da antiga menina, o longo cabelo negro, os olhos enormes e as felinas sobra...