A Cereja do Bolo - Gustavo de Souza
A Cereja do Bolo - “Damião não tem no cú o que a periquita roa, minha filha” – ela disse, quando Nana de preparava para sair. – “Você arrumava coisa melhor”. - “Você não sabe de nada, madrinha.” - respondeu Nana, mandando um beijo e fechando a porta. É verdade que Damião não tinha onde cair morto, nem ambição que pudesse modificar a sua situação no mundo. Só que Nana era mulher de um outro tempo. Jamais aceitaria ser sustentada por homem nenhum. Apesar de jovem, ela ganhava bem e parecia que iria atravessar a crise sem muitos sobressaltos. Fizera as escolhas certas. Gostava de dormir na casa de Damião, que na verdade era uma parte de casa em Santa Tereza. Aquele contraste da vida lenta do alto com o mundo corporativo lá embaixo onde ela passava seus dias, lhe fazia muito bem. Além disso, Damião era uma caixinha de surpresas. Quem o visse nas roupas alternativas que ele usava não conseguia imaginar o corpo que elas escondiam. Magrinho de dar dó, ele era na verdade um fals...