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Mostrando postagens com o rótulo junho 2021

O cubo, por Camilla Agostini

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O Cubo Camilla Agostini Nasceu para ser um cubo. Mas era também de gelo. Vivia nas bandejas plásticas de congelador, próprias para cubos. Às vezes vinha refrescar um suco. Era um prazer especial mergulhar naquele sumo morno com suas fácies geladas, quando espirravam gotas para fora do copo. Depois rodar de um lado para o outro dentro da boca humana, empurrado pela língua contra o macio da bochecha. Fazê-la gelar e então ser cuspido no vazio do copo. Quando não passava de um resto. Voltava correndo para a bandeja antes de desvanecer. Pedia que lhe completassem de água e que lhe deixassem quieto no recinto gelado até que pudesse ser útil novamente. Até um dia que foi servido numa mesa bonita e escapou sobre a toalha ao lado de uma vela acesa. Ela era muito alta, então não fazia mal. O cubo de gelo, com suas paredes ainda em riste, admirado confessou: – Sua chama é bonita. Estou cansado de sempre me esvanecer. Você também passa por isso? – Não sei do que está falando, me acenderam agora a...

Os Últimos Dias de Paupéria, por Torquato Neto

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É preciso não beber mais. Não é preciso sentir vontade de beber e não beber:  é preciso não sentir vontade de beber. É preciso não dar de comer aos urubus.  É preciso fechar para balanço e reabrir. É preciso não dar de comer aos urubus. Nem esperanças aos urubus. É preciso sacudir a poeira. É preciso poder beber  sem se oferecer em holocausto. É preciso. É preciso não morrer por enquanto.  É preciso sobreviver para verificar. Não pensar mais na solidão de Rogério, e deixá-lo. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso enquanto é tempo  não morrer na via pública. Torquato Neto Livro Os Últimos Dias de Paupéria, p.365 ( Mote lido por Anna Duda para o encontro do dia 29/06)