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Minha Mãe, por Victor Giudice

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"─ Uma vez você me disse que tia Adelaide e você eram duas bobas. Só você é que foi boba. Que é que pensa que ganhou, se trancando num quarto, com os olhos fechados para a vida? Se lembra quando você mandava eu rezar e dizia que rezava a noite inteira? Eu nunca rezei nem uma ave-maria sequer. Agora eu sei que é tudo mentira da grossa, já sei da missa a metade, que a única verdade é o prazer. Mamãe, eu sou uma pecadora, está ouvindo? Sua filha é uma pecadora. Nenhuma resposta. No final do corredor, tia Adelaide arregalava os olhos para mim, com as mãos postas, como se implorasse o silêncio de Deus. Quanto mais ela suplicava, mais eu gritava. Mas não obtive resposta. De repente, eu encontrei a força que havia buscado por toda a vida e agarrei a maçaneta da porta de minha mãe com as duas mãos. A garganta de tia Adelaide desprendeu um não lancinante de tragédia grega e ela tentou me impedir com os mesmos dedos que se entrelaçavam aos meus. Não conseguiu. Quando a maçaneta girou, ela c...