Vida Sertaneja, de Cecília Mouta
A luz da lua sombreava, feito pintura, qualquer coisa que se atrevia a emergir naqueles vastos campos, agora negros, pela noite. A paisagem que se formava era quadro digno de memória. Dava dó de passar ali no meio e estragar a obra da natureza, mas a vida não é arte, e os compromissos não esperam. A barba por fazer coça o meu rosto feito urticária das “brabas”, mas não gosto de mim sem ela, então, só raspo quando vejo a loucura se aproximar em cima de boi “brabo”. E põe “brabo” nisso! Esses dias o Demônio danou a correr atrás de Jeremias, o rapaz que costumava me ajudar a botar o rebanho pra pastar nas terras mais distantes. Jeremias, que não é bobo nem nada, danou a correr também. Mas o pobre do rapaz foi ser filho de nordestino e puxou essa tal de genética das pernas curtas. Foi o tempo dos meus cílios se separarem para o chifre do Demônio perfurar sua pele maltratada. O berro de Jeremias era mais potente que berr...