Do Alto, por Gabriel Cerqueira
O azul do céu parece um mar invertido que se cansara da Terra e decidiu fugir para o paraíso. Lá e cá ele é pontilhado pelos passarinhos que vem e vão semeando seus cantos por onde passam, bailando e brincando. A paisagem revela o verde das plantas que vai até o horizonte, sendo cortado apenas pelo ocre das estradas de terra, pelo branco das casas e pelas mais diversas cores de flores nos campos e das frutas que caíram maduras no chão. Ana e Miguel caminham por uma dessas estradas. Suas peles são douradas, seus sorrisos são alvos. Peles de Sol, sorrisos de Lua. Eclipses, ambos são noite e dia. A conversa animada dita o passo tranquilo no ritmo da cidade do santo. Eles caminham descalços para sentir a terra úmida e tudo o que ela tem a dizer em seu idioma a nós oculto. Um cachorro late, fingindo-se de feroz, em frente a uma casa antiga e simples com uma cerca de bambu. Miguel se abaixa e sorri, assobia e estala os dedos. O cãozinho se aproxima e lambe uma das mãos do novo am...