O Pucaro Búlgaro, de Campos de Carvalhos
Mote: Trecho de “O púlcaro búlgaro” de Campos de Carvalho 13 de novembro Fui ao psicanalista e ele me fez deitar num divã, sem o paletó, a gravata e os sapatos. - Está se sentindo confortável? - Muito. E o senhor? - Desaperte o cinto. - Quer dizer que já subimos? - Limite-se a responder. Feche os olhos, procure concentrar-se. Fazia um calor dos diabos, e de repente me veio uma vontade louca de urinar. - Já pensou alguma vez em matar seu pai? - Muitas. Mas, se o sr. me permite, eu gostaria de urinar. - Tem irmãos ou irmãs? - Que eu saiba, não. Assim de momento é meio difícil... - Gatos? Cachorros? - Se o sr. não me deixar ir urinar, não respondo, nem respondo pelas consequências. E depois que eu voltei do banheiro: - Quantos dedos o sr. tem nas mãos? Não, não pode abrir os olhos. - Dez, até chegar aqui pelo menos. - Responda depressa: se ponho vinte e duas melancias nas suas mãos e depois tiro cinco e acrescento três, com quantos dedos o senhor fic...