Colo de Mãe, por Beatriz Moreira Lima
Quando puseram o bebê em seus braços, sentiu um misto de alívio e pânico. Finalmente, aquela criatura tinha saído de dentro dela; aquele alienígena que se instalara, contra a sua vontade, no seu ventre, fora expulso. Foram horas de um sofrimento excruciante, mas valera a pena. Só que agora o ser sanguinolento estava sobre seu peito e a plateia parecia esperar uma demonstração de amor materno. O tal amor incondicional. Não sentiu nada, apenas um pouco de repulsa por causa do sangue que ainda envolvia o recém-nascido. Chorou. Primeiro, timidamente; depois, aos soluços. A enfermeira tirou o bebê de seu colo, com ar de reprovação. Aleluia! Agora precisava planejar a sua fuga. Lucienny fugiu de madrugada. Sua mãe dormia em uma cadeira ao lado de sua cama, na enfermaria da maternidade. Nos outros leitos, três mulheres também dormiam, enquanto uma quarta gemia sem parar. Encontrou com facilidade suas roupas na sacola pendurada ao pé da cama. Foi um pouco mais difícil pegar o dinheiro ...