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Mostrando postagens com o rótulo Beatriz Moreira Lima

Colo de Mãe, por Beatriz Moreira Lima

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Quando puseram o bebê em seus braços, sentiu um misto de alívio e pânico. Finalmente, aquela criatura tinha saído de dentro dela; aquele alienígena que se instalara, contra a sua vontade, no seu ventre, fora expulso. Foram horas de um sofrimento excruciante, mas valera a pena. Só que agora o ser sanguinolento estava sobre seu peito e a plateia parecia esperar uma demonstração de amor materno. O tal amor incondicional. Não sentiu nada, apenas um pouco de repulsa por causa do sangue que ainda envolvia o recém-nascido. Chorou. Primeiro, timidamente; depois, aos soluços. A enfermeira tirou o bebê de seu colo, com ar de reprovação. Aleluia! Agora precisava planejar a sua fuga.  Lucienny fugiu de madrugada. Sua mãe dormia em uma cadeira ao lado de sua cama, na enfermaria da maternidade. Nos outros leitos, três mulheres também dormiam, enquanto uma quarta gemia sem parar. Encontrou com facilidade suas roupas na sacola pendurada ao pé da cama. Foi um pouco mais difícil pegar o dinheiro ...

Escuridão Adentro

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de Beatriz Moreira Lima  Na estrada escura, ela não enxergava nada. O homem ao seu lado dormia. Bêbado. De súbito, o tranco forte e o barulho assustador. O carro parecia haver despencado em uma ribanceira. - Mario! Acorda, homem! Acho que bati o carro! – ele não se movia, o corpo pendendo para a frente, preso pelo cinto de segurança – Merda! Homem inútil... Não dá pra contar com ele pra nada mesmo... Era uma mulher independente. Não tinha medo do escuro. Tinha medo de estar, talvez, pendurada à beira de um precipício. Queria sair do carro, mas temia que sua movimentação o desprendesse de qualquer coisa que o estivesse segurando. Os fracos faróis haviam se apagado com o baque. Tentou acendê-los novamente, sem sucesso . “Também, não estavam servindo para nada, com essa neblina...” , pensou. Acendeu a pequena luz do teto. Observou que escorria um filete de sangue da boca do homem. “Deve ter mordido a língua... Bêbado!” . A visão do homem desacordado a seu lado a enchia de...

Gran finale - Beatriz Moreira Lima

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Gran finale O Mário era um sujeito muito boa praça. Aliás, empenhou-se a vida inteira para ser assim considerado. Desde a época da escola, preocupava-se com sua popularidade. Doía-lhe a alma saber que alguém não gostava dele, ainda que ele mesmo não tivesse esse alguém em alta conta... Então, fazia de um tudo para ser querido. E, como já era, por natureza, amável, com o esforço extra, era bastante popular. Bom de papo, tinha assunto para conversar tanto com a avó do colega de trabalho, quanto com o cunhado da esposa. Sabia, como ninguém, evitar atritos. Ouvia as opiniões políticas mais diversas, sem jamais discordar. Fazia comentários pertinentes, que podiam ser interpretados pelo interlocutor como melhor lhe conviesse. Sempre demonstrava interesse no trabalho, na família, nas conquistas e nas doenças de todos. Não negava favores aos amigos e até aos amigos dos amigos. De uma carona a um dinheiro emprestado, o Mário era “o cara”. E como conhecia gente! Era quase imposs...

Pós-Clube (29/ 09/ 15)

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Guilherme Preger, MC Vinicius Varela, Beatriz Moreira Lima, autora convidada Lisa Alves e Gustavo. Foto por Luiz Alberto Benevides

Na língua dos golfinhos - Beatriz Moreira Lima

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Na língua dos golfinhos Eles eram como meus irmãos. Nasci com eles. Minha mãe queria um parto natural, na água, com golfinhos... Nós morávamos na praia. Meu pai pescava e minha mãe trabalhava com ervas. Segundo minha mãe, o parto foi um sonho. Não sentiu dor alguma. Os golfinhos a ajudaram, emitindo sons em frequência tranquilizadora. Desde criança, eu nadava com eles na praia. Mike, Bill e Tom eram meus melhores amigos. Minha mãe dizia que eu falava a língua deles. Eu não sei. Se era minha mãe quem afirmava, devia estar certa, não é mesmo? Quando me pediam para traduzir os “guinchos” ou “pios” dos golfinhos, eu traduzia. Não tinha certeza se entendia ou se imaginava, mas isso não tinha importância. Eu era especial. Uma vez veio um povo da televisão fazer um programa comigo. Eu nadei com os golfinhos, “traduzi” o que diziam, falei com eles, do meu jeito, e todos ficaram convencidos de que eu falava “golfinhês”. Às vezes apareciam alguns golfinhos diferentes na prai...

Pós-Clube (01/ 09/ 15)

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José Fontenelle e MC Beatriz Moreira Lima José levou o livro  "O tempos dos milhares de culpas", de Iury Soares. Carmen Molinari e MC Beatriz Moreira Lima Carmen levou o livro "Tempos férteis", de Beatriz Moreira Lima. Vinicius Varela e MC Beatriz Moreira Lima E Vinicius levou "A jornada do escritor", de Christopher Vogler.

Mentiras no divã - Irvin D. Yalom

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Recomendação de leitura por Beatriz Moreira Lima   O Ribas disse que eu tenho que indicar um livro e escrever uma resenha. Eu não sei escrever resenha e, se pretendesse fazê-lo, teria que ler o livro já sabedora da tarefa por vir... Por isso, vou apenas indicar um livro de que tenha gostado muito e do qual me lembre razoavelmente (minha memória deixa muito a desejar, mesmo porque leio por puro entretenimento, sem fazer qualquer   tipo de anotação...). Ah!, e tem mais uma pegadinha: tenho que mandar uma foto com o livro... Essa última informação me chegou quando já tinha me decidido a escrever sobre “O Complexo de Portnoy” (Philip Roth), romance que devorei em uma tarde/noite, quando tinha meus vinte e poucos anos. Só que eu não tenho nenhum exemplar, o que li encontrei na sala da casa do meu pai, com quem morava na época, e pertencia à minha ex-madrasta... Então, agora estava dando uma geral na minha estante, e encontrei “Lying on the couch” (“Mentir...

Desde que te foste - Beatriz Moreira Lima

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Desde que te foste Desde que te foste, sonho contigo todas as noites. Sonhos simples, cotidianos, até meio medíocres, em que estás na rua, dirigindo teu automóvel; na praia, jogando vôlei; no supermercado, na farmácia, no Forum, no restaurante. Passeias sempre por locais familiares, usando as mesmas roupas que sempre vestiste, o mesmo corte de cabelo, a barba inalterada. Todas as manhãs, ao despertar, penso que tais sonhos não são apenas reflexo do meu desejo de te encontrar. Não, tenho, todo dia, absoluta certeza de que são premonitórios, de que finalmente o acaso nos reunirá. Então me banho, me perfumo, me maquio e me visto, com todo capricho, para ti. Depois dou um jeito de passar no local do sonho, o que nunca é difícil ou fora de mão, pois os locais em que apareces são aqueles do meu dia-a-dia, que já foi teu também um dia. Mas, desde que te foste, há mais de duzentos dias, que não te encontro. E quando chego em casa, à noite, como um pão francês com queijo e sala...