Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Vinicius Varela

As Noites devem morrer

Imagem
por Vinicius Varela A minha história de amor com Júlia é a história de como eu tentei mantê-la viva, como fiz de tudo para que a sua vontade de viver fosse maior que a sua pulsão de morte e não consegui. Fracassei em fazer com que se agarrasse à vida. A morte rondava nossa casa. Eu sentia como ela fazia minha barba com sua gadanha como se ela fosse uma navalha. A morte era nossa convidada. Júlia a havia deixado entrar. Quando eu desenhei o círculo mágico no chão de casa já era tarde. Não havia contrafeitiço capaz de nos proteger. A palavra tem poder. A todo instante os homens proferem maldições. A morte já havia sido invocada. Júlia pronunciado em voz alta que preferia morrer a continuar vivendo desse jeito. Júlia era iniciada em mistérios. Guardiã de escuridões. Com dolorosa certeza sou obrigado a afirmar que jamais me aproximei do coração dela. Ela era toda escuros. Júlia ninava o silêncio. De sua treva me revelava dentes de vampira. Dente lindos, claros. E essa é toda clareza q...

Pós-Clube (29/ 09/ 15)

Imagem
Guilherme Preger, MC Vinicius Varela, Beatriz Moreira Lima, autora convidada Lisa Alves e Gustavo. Foto por Luiz Alberto Benevides

O Jogo da Amarelinha - Julio Cortázar

Imagem
Recomendação de leitura por Vinicius Varela O Rayuela , em português “O Jogo da Amarelinha”, de Julio Cortázar, é um acontecimento na história da literatura. Lançado em 1963, mudou a forma de se fazer romances. O romance nunca mais foi o mesmo depois disso. Uma obra essencialmente aberta que permite múltiplas leituras e mais do que permitir, deseja ser lida de diversas formas. Rayuela é um convite ao leitor a construir sua própria narrativa. O autor dá ao leitor fragmentos que podem ser organizados da maneira que o leitor desejar. Acontece um trabalho de co-autoria em que o livro é construído entre o escritor e o leitor. O livro não chega às mãos do leitor já pronto, pelo contrário, ao chegar a essas mãos é que começa a se construir, as partes soltas de juntando. Poderia dizer-se que Rayuela é um livro sobre livros. Inicialmente, Rayuela são dois livros em um só, mas como o próprio autor diz no ”Tablero de dirección”, um tabuleiro de instruções para a leitura: “A su manera ...

Pós-Clube (01/ 09/ 15)

Imagem
José Fontenelle e MC Beatriz Moreira Lima José levou o livro  "O tempos dos milhares de culpas", de Iury Soares. Carmen Molinari e MC Beatriz Moreira Lima Carmen levou o livro "Tempos férteis", de Beatriz Moreira Lima. Vinicius Varela e MC Beatriz Moreira Lima E Vinicius levou "A jornada do escritor", de Christopher Vogler.

Pós-Clube (18/ 08/ 15)

Imagem
Morena Madureira, MC Tiago Velasco e Vinícius Varela. Morena levou o livro de contos "Petaluma", de Tiago Velasco, e Vinícius o livro de poemas "Perspectiva do quase", de Zeh Gustavo.

Mote do encontro (04/ 08/ 15)

Imagem
mote lido por Vinicius Varela Sincronicidade O escritor Wilhelm von Sholz recolheu uma série de casos que nos mostram a maneira estranha como objetos perdidos ou roubados voltam a seus donos. Entre outras coisas ele menciona o episódio da mãe que bateu uma fotografia de um filhinho de quatro anos na Floresta Negra. Ela mandou revelar o filme em Estrasburgo. Mas como havia estourado a guerra (1914), ela não pôde mais reaver o filme, e o considerou perdido. Em 1916 comprou um filme em Frankfurt para bater a fotografia de uma filhinha que nascera nesse meio tempo. Quando o filme foi revelado, verificou-se que ele tinha sido usado duas vezes: a segunda imagem era a fotografia do filhinho que ela tirara em 1914! O antigo filme não fora revelado, e não se sabe como fora posto de novo à venda entre novos filmes. O autor chega à conclusão, em si compreensível, de que todos os indícios apontam para uma “força de atração” destes objetos relacionados. Ele suspeita que os ac...

Mote do encontro (23/06/15)

Imagem
Texto lido por Vinicius Varela Através do espelho e o que Alice encontrou por lá     “Agora está sonhando”, observou Tweedledee. “Com que acha que ele sonha?" Alice disse: “Isso ninguém pode saber.” “Ora, com você!” Tweedledee exclamou, batendo palmas, triunfante. “E se parasse de sonhar com você, onde acha que você estaria?” “Onde estou agora, é claro”, respondeu Alice. “Não, não!” Tweedledee retrucou, desdenhoso. “Não estaria em lugar algum. Ora, você é só uma espécie de coisa no sonho dele!” “Se o Rei acordasse”, acrescentou Tweedledum, “você sumiria... puf!... exatamente como uma vela!” “Não sumiria!” Alice exclamou indignada. “Além disso, se sou só uma espécie de coisa no sonho dele, gostaria de saber o que vocês são?” “Idem”, disse Tweedledum. “Idem, ibidem”, gritou Tweedledee. E gritou tão alto que Alice não pôde se impedir de dizer:  “Psss! Receio que vá acordá-lo se fizer tanto barulho.” “Bem, não adian...