Minha visita ao doutor Steiner, por Frantz Kafka
Minha visita ao Dr. Steiner. Uma mulher já está à espera (no segundo andar do Hotel Victoria, na Jungmannstrasse), mas urge para que eu a preceda. Aguardamos. A secretária chega e nos pede paciência. Dou uma olhadela para o corredor e o vejo. De pronto, ele se encaminha para nós com os braços semiabertos. A mulher explica que fui o primeiro a chegar. Sigo-o, portanto, rumo a sua sala. A sobrecasaca preta que ele usa em suas palestras noturnas e que parece ter sido lustrada (mas não foi: é apenas a pureza do preto que a faz cintilar) apresenta-se agora, à luz do dia (três horas da tarde), empoeirada e até mesmo manchada, sobretudo nas costas e nos ombros. Em sua sala, procuro demonstrar a humildade que não logro sentir procurando um lugar ridículo para pendurar meu chapéu; penduro-o num pequeno suporte de madeira que serve de apoio para amarrar as botas. Há uma mesa no centro da sala, sento-me de frente para a janela, ele, à esquerda da mesa. Sobre ela, alguns papéis com desenhos que le...