Salvem as brincadeiras de rua!, por Luiz Antonio Simas
Salvem as brincadeiras de rua Luiz Antonio Simas O crescimento das cidades e o avanço da urbanização, com as decorrências desse processo, alteraram profundamente as maneiras como as crianças se divertem. A falta do espaço público para as brincadeiras infantis redefiniu com rapidez as maneiras de a molecada interagir, fabular, pular, dançar, correr e inventar o mundo. Algumas brincadeiras do meu tempo de moleque sumiram do repertório de hoje. Eu adorava, por exemplo, rodar pneu. Uma criança era colocada dentro de uma roda de pneu grande, sem a câmara de ar; outra fazia a roda girar por uma vasta extensão. A sensação de desconforto causada pela posição do corpo em face ao movimento da roda (vez por outra alguém passava mal ou se esborrachava) era descontada pela excitação que o movimento arriscado gerava. Rodar pneu era adrenalina pura. Pular carniça era outra estripulia que dependia de espaço, a começar pela corrida de média distância que definia quem seria o mestre e quem seria a vítim...