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Salvem as brincadeiras de rua!, por Luiz Antonio Simas

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Salvem as brincadeiras de rua Luiz Antonio Simas O crescimento das cidades e o avanço da urbanização, com as decorrências desse processo, alteraram profundamente as maneiras como as crianças se divertem. A falta do espaço público para as brincadeiras infantis redefiniu com rapidez as maneiras de a molecada interagir, fabular, pular, dançar, correr e inventar o mundo. Algumas brincadeiras do meu tempo de moleque sumiram do repertório de hoje. Eu adorava, por exemplo, rodar pneu. Uma criança era colocada dentro de uma roda de pneu grande, sem a câmara de ar; outra fazia a roda girar por uma vasta extensão. A sensação de desconforto causada pela posição do corpo em face ao movimento da roda (vez por outra alguém passava mal ou se esborrachava) era descontada pela excitação que o movimento arriscado gerava. Rodar pneu era adrenalina pura. Pular carniça era outra estripulia que dependia de espaço, a começar pela corrida de média distância que definia quem seria o mestre e quem seria a vítim...

A peleja do Seu Sete contra o General, de Luiz Antonio Simas

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A peleja do Seu Sete contra o General | Conheço poucos fuzuês brasileiros que se comparem ao que acontecia na década de 1970, em Santíssimo, pertinho de Bangu. Em um galpão transformado em terreiro de umbanda, a médium Cacilda de Assis recebia Seu Sete da Lira, um exu fuzarqueiro e sedutor. Os pontos eram tocados em ritmo de samba, ao som de tambores, pandeiros, chocalhos, cavaquinho e acordeão. Seu Sete, ao lado de 5 mil médiuns e de multidão de clientes, aparecia em grande estilo, de cartola, capa, colete, garrafa de marafo na mão e o escambau. Dava passes, cuspia cachaça em todo mundo e atendia o povão, artistas e autoridades. O sucesso foi tanto que Seu Sete baixou, ao vivo, nos programas do Chacrinha, na TV Globo, e de Flávio Cavalcanti, na TV Tupi. O jornal O Estado de São Paulo (03/09/1971) noticiou o babado da seguinte maneira: "A disputada mãe de santo Dona Cacilda de Assis transformou os estúdios da Globo e da Tupi em verdadeiros terreiros de macumba. Embora as apre...

Mote do encontro (29/ 03/ 16)

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Mote lido por Marco Antonio Martire Dicionário da história social do samba Malandragem. Uma das várias acepções da palavra "malandro" (do italiano malandrino ) é a de indivíduo astuto e matreiro. Foi essa apregoada esperteza que plasmou, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, a partir da década de 1920, um dos estereótipos do negro sambista subempregado ou desempregado, situado entre a marginalidade artística e a perspectiva de integração social - malandragem também é sinônimo de vagabundagem, vadiagem, vida marginal. Atitude e rótulo, a "malandragem" romântica, glamourizada, é explícita na obra de compositores e intérpretes como Geraldo Pereira (1918-1955), Heitor dos Prazeres, Ismael Silva, Jorge Veiga, Moreira da Silva, Wilson Batista (1913-1968) etc. Segundo Câmara Cascudo, a origem da figura do malandro estaria nos filhos dos escravos alforriados, os quais, rejeitando o trabalho formal, com horários rígidos e obrigações definidas, p...