Mote do encontro 24/03/15
Texto lido por Thiago Mourão O feitiço da ilha do Pavão Ah, quem estava distraído nessa hora afirma que a tarde se iluminou de rosa carmim, o ar se perfumou e toda orla da ilha do pavão faiscou. Não se sabe se isso é verdade, mas parece que sim, porque passaram um tempo infinito um dentro do outro e gozaram como ninguém nunca gozou neste mundo, atravessando a longa noite abraçados e amantes, nada de ruim podendo alcançá-los. De noite, se os ventos invernais estão açulando as ondas, as estrelas se extinguem, a Lua deixa de existir e o horizonte se encafua para sempre no ventre do negrume, as escarpas da ilha do pavão por vezes assomam à proa das embarcações como uma aparição formidável, da qual não se conhece navegante que não haja fugido, dela passando a abrigar a mais acovardada das memórias. Logo que deparadas, essas falésias abrem redemoinhos por seus entrefolhos, que nada é capaz de resistir. Mas, antes, lá no alto, um pavão colossal acende ...