O amor de Pedro por João, por Tabajara Ruas
Ela tornou a rir a sua risada perfeita e escarnecedora, cravando-lhe os olhos curiosos e atentos. Marcelo sentiu que se enchia outra vez de desejo e de fúria, da necessidade de provar a essa mulher que era homem, sentiu vontade de arrancar-lhe a leve camisa de linho que vestia. Mas, no dia seguinte, ao voltar da praia, é que foi o meio-dia em que encontrou-se com ela na porta que dava para a varanda, em que cegado por súbita e louca coragem, enlaçou-a pela cintura esperando que o mundo desabasse, em que sentiu as pernas fraquejarem ao vê-la apenas sorrir e apoiar displicentemente o braço no seu ombro, em que riu para sua ereção impossível de dissimular, em que o copo de caipirinha se estilhaçou no piso oferecendo ao ar da casa o cheiro acre e adocicado da bebida, em que a ereção transformou em força a fraqueza de suas pernas, em que sentiu em si um cavalo, um jovem cavalo suado no pasto, um garanhão arfante, de cascos afiados e longas crinas negras, que relincha, que freme, que fareja ...