Mote do encontro (29 / 09/ 15)
Mote lido por Daniel Russell Ribas Réveillon e outros dias Réveillon Chegaram em casa. Dispensaram o taxista e entraram pela porta da frente. Na sala, os móveis intocados desde o falecimento da mulher pareciam aguardar seu retorno; no entanto, o morador remanescente desacreditava definitivamente, agora, que isso pudesse ocorrer. Observara de perto a destruição irremediável das coisas, seja após a morte ou mesmo antes dela. E de que valeria uma ressurreição, afinal de contas? Foram os dois para a cozinha, onde o velho, sentindo-se esvaziado de todas as suas atribuições e seus significados, sinalizou para o filho: “Acho que cheguei ao meu fim.” O rapaz se consternou; sabia que parte dessa sensação autoapocalíptica estava relacionada com a sua partida. “Não acho que é seu fim, mas entendo. Se for, quero dizer que fico feliz que você tenha chegado até aqui.” Tentou alegrá-lo ternamente; compreendia um pouco da angústia do pai e sabia que não havia muito ...