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Crônica da casa esquartejada, por João Bastos de Mattos

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CRÔNICA DA CASA ESQUARTEJADA João Bastos de Mattos, 12/02/2019 Inspirado no conto Casa tomada , de Julio Cortázar Já era um fato previsto, desde que se soube que uma tribo de bárbaros havia cruzado o Reno. Mas foi para nós uma surpresa quando a notícia chegou, dada a rapidez com que tudo ocorreu: nossa Horta havia sido invadida de madrugada por um exército de Suevos. Nada a fazer, disse Flamínio, o mais sensato dos irmãos, quando Cornélia, com o olhar desamparado, veio nos avisar. A Horta já deixara há muito de ser uma horta, mas havia na família a mania de manter as denominações históricas. Ali era o lugar da fantasia, com circos mambembes montados pelos mais velhos, incendiando a imaginação dos pequenos, que sonhavam equilibristas com saltos mortais, homens do come-fogo, feras de terras longínquas obedecendo à voz do domador. Não havia remédio, os Suevos que vinham das margens do Elba tinham escolhido justamente nossa Horta para armar suas tendas, amarrando varais no...

A Casa Tomada, por Julio Cortázar

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Lembro-me bem da divisão da casa. A sala de jantar, uma peça com gobelinos, a biblioteca e três quartos grandes ficavam na parte mais afastada, a que dá frente para Rodríguez Peña. Só um corredor, com sua maciça porta de carvalho, separava essa parte da ala dianteira, onde havia um banheiro, a cozinha, nossos quartos de dormir e o living central, com o qual se comunicavam os quartos e o corredor. Entrava-se na casa por um saguão com azulejos de majólica, e a porta-persiana dava para o living . De maneira que se entrava pelo saguão, abria-se a porta-persiana e já se chegava ao living ; tinha-se, dos lados, as portas dos nossos quartos e, à frente, o corredor que levava à parte mais afastada; seguindo pelo corredor, chegava-se à porta de carvalho e mais adiante se iniciava o outro lado da casa, ou então se podia virar à esquerda, justamente antes da porta, e seguir por um corredor mais estreito, que levava à cozinha e ao banheiro. [...] Recordarei sempre, com nitidez, porque f...

O Jogo da Amarelinha - Julio Cortázar

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Recomendação de leitura por Vinicius Varela O Rayuela , em português “O Jogo da Amarelinha”, de Julio Cortázar, é um acontecimento na história da literatura. Lançado em 1963, mudou a forma de se fazer romances. O romance nunca mais foi o mesmo depois disso. Uma obra essencialmente aberta que permite múltiplas leituras e mais do que permitir, deseja ser lida de diversas formas. Rayuela é um convite ao leitor a construir sua própria narrativa. O autor dá ao leitor fragmentos que podem ser organizados da maneira que o leitor desejar. Acontece um trabalho de co-autoria em que o livro é construído entre o escritor e o leitor. O livro não chega às mãos do leitor já pronto, pelo contrário, ao chegar a essas mãos é que começa a se construir, as partes soltas de juntando. Poderia dizer-se que Rayuela é um livro sobre livros. Inicialmente, Rayuela são dois livros em um só, mas como o próprio autor diz no ”Tablero de dirección”, um tabuleiro de instruções para a leitura: “A su manera ...