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A Marcha de Alberto, de Bruno Flores

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A marcha de Alberto O velho almirante Braga abria caminho na multidão entre o Gandhi, a Marilyn Monroe e o Saci Pererê. Corpos suados bailavam entre confetes e serpentinas, enquanto uma colorida bola de praia era estapeada pra lá e cá sobre o mar de cabeças. Uma fadinha purpurinada passava em pernas-de-pau, outra balançava um bambolê e homens vestidos de noivas, baianas e quengas tocavam instrumentos. Era a vitória inquestionável da insanidade coletiva. Afinal, não se tratava de um pesadelo nem o velho almirante estava alucinando ou ficando gagá. Era, sim, aquele período em que a cidade obtinha o alvará da vagabundagem para cinco dias de embriaguez, galhofa e sem-vergonhice. Era o maldito carnaval carioca. O teu cabelo não nega mulata Porque és mulata na cor Mas como a cor não pega mulata Mulata eu quero o teu amor A marchinha trouxe lembranças dos bailes de gala no Teatro Municipal, ele e os colegas de escola naval vestindo fraques elegantes, as mulheres brilhando em fanta...

Cló, de Lima Barreto

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CLÓ O doutor Maximiliano bebeu ainda uma cerveja e, acabada que foi a cerveja, saiu vagarosamente um tanto trôpego. A noite já tinha caído de há muito. Era já noite fechada. Os cordões e os bandos carnavalescos continuavam a passar, rufando, batendo, gritando desesperadamente. Homens e mulheres de todas as cores - os alicerces do país - vestidos de meia, canitares e enduapes de penas multicores, fingindo índios, dançavam na frente ao som de uma zabumbada africana, tangida com fúria em instrumentos selvagens, roufenhos, uns, estridentes, outros. As danças tinham luxuriosos requebros de quadris, uns caprichosos trocar de pernas, umas quedas imprevistas. Aqueles fantasiados tinham guardado na memória muscular velhos gestos dos avoengos, mas não mais sabiam coordená-los nem a explicação deles. Eram restos de danças guerreiras ou religiosas dos selvagens de onde a maioria deles provinha, que o tempo e outras influências tinham transformado em palhaçadas carnavalescas... Certament...