A Marcha de Alberto, de Bruno Flores
A marcha de Alberto O velho almirante Braga abria caminho na multidão entre o Gandhi, a Marilyn Monroe e o Saci Pererê. Corpos suados bailavam entre confetes e serpentinas, enquanto uma colorida bola de praia era estapeada pra lá e cá sobre o mar de cabeças. Uma fadinha purpurinada passava em pernas-de-pau, outra balançava um bambolê e homens vestidos de noivas, baianas e quengas tocavam instrumentos. Era a vitória inquestionável da insanidade coletiva. Afinal, não se tratava de um pesadelo nem o velho almirante estava alucinando ou ficando gagá. Era, sim, aquele período em que a cidade obtinha o alvará da vagabundagem para cinco dias de embriaguez, galhofa e sem-vergonhice. Era o maldito carnaval carioca. O teu cabelo não nega mulata Porque és mulata na cor Mas como a cor não pega mulata Mulata eu quero o teu amor A marchinha trouxe lembranças dos bailes de gala no Teatro Municipal, ele e os colegas de escola naval vestindo fraques elegantes, as mulheres brilhando em fanta...