Pipariferia, por Felipe Boaventura
Pipariferia As pipas não nascem prontas. Não nascem no céu ou surgem em mercearias. As pipas não nascem na indústria. Elas vem da mão dos homens, e em especial, as com vida, das mãos dos meninos. Para nascer uma pipa é preciso encontra o bambu “devês”, com sua casca verde a amarelar, e sua flexibilidade para as varetas. Suas medidas são as medidas aprendidas na tradição oral. Dos mais velhos para os mais novos. Das pipas pegas dos telhados alheios e usadas como moldes. Da experiência de tantas feitas “no olho” e que dão para um dos lados. As varetas amarradas com linha velha dão origem as pipas “carrapetas”, as “charutos”, “batatas”, “arraias”. Depois, é preciso empapar uma pouco de arroz para usar como cola entre os papéis de seda nas cores escolhidas, e entre o papel e as linhas amarradas nas varetas de bambu para lhes dar carne. A linha “Corrente” no tamanho de um “deizinho” ou um “deizão” é indispensável, tanto para amarrar um bom cabresto de acordo com o vento do dia, como para s...