O conto da Aia, por Margaret Atwood
Fico sentada em meu quarto, junto da janela, esperando. Em meu colo há um punhado de estrelas amassadas. Esta poderia ser a última vez que tenho de esperar. Mas não sei o que estou esperando. O que você está esperando?, costumavam dizer. Isso significava apresse-se. Não se esperava nenhuma resposta. Pelo que você está esperando é uma pergunta diferente, e não tenho resposta para ela tampouco. Entretanto não é esperar, exatamente. É mais como um forma de suspensão. Sem suspense. Finalmente não há tempo. Estou em desgraça, o que é o oposto da graça. Deveria me sentir pior quanto a isso. Mas sinto-me serena, em paz, impregnada de indiferença. Não deixe que os bastardos esmaguem você. Repito isso para mim mesma, mas não me transmite nada. Seria a mesma coisa que você dizer: Que não haja ar; ou: Não seja. Suponho que você poderia dizer isso. Não há ninguém no jardim. Gostaria de saber se vai chover. Lá fo...