Mote do encontro (04/ 08/ 15)



mote lido por Vinicius Varela


Sincronicidade




O escritor Wilhelm von Sholz recolheu uma série de casos que nos mostram a maneira estranha como objetos perdidos ou roubados voltam a seus donos. Entre outras coisas ele menciona o episódio da mãe que bateu uma fotografia de um filhinho de quatro anos na Floresta Negra. Ela mandou revelar o filme em Estrasburgo. Mas como havia estourado a guerra (1914), ela não pôde mais reaver o filme, e o considerou perdido. Em 1916 comprou um filme em Frankfurt para bater a fotografia de uma filhinha que nascera nesse meio tempo. Quando o filme foi revelado, verificou-se que ele tinha sido usado duas vezes: a segunda imagem era a fotografia do filhinho que ela tirara em 1914! O antigo filme não fora revelado, e não se sabe como fora posto de novo à venda entre novos filmes. O autor chega à conclusão, em si compreensível, de que todos os indícios apontam para uma “força de atração” destes objetos relacionados. Ele suspeita que os acontecimentos se dispuseram de tal modo, como se fossem o sonho de uma “consciência maior e mais abrangente, por nós desconhecida”.

(...)

“... descobri que a emocionalidade (afecctio) da alma humana constitui (realmente) a causa principal de todas as coisas, seja porque, em virtude de sua grande emoção modifica seu corpo e outras coisas no sentido em que quiser, seja porque as outras coisas inferiores estão sujeitas a ela, por causa de sua dignidade, seja ainda  porque a hora adequada ou a situação astrológica ou uma outra força correm paralelas com este afeto que ultrapassa todos os limites, e (em consequência) acreditamos que aquilo que esta força opera é produzido também pela alma (...)
Quem quiser conhecer o segredo de como fazer e desfazer estas coisas, deve saber que qualquer pessoa pode influenciar magicamente qualquer coisa, quando cai em um grande excesso... e deve fazer isto justamente na hora em que o excesso o acomete, e operar com aquelas coisas que a alma lhe prescreve. A alma se acha, com efeito, tão desejosa daquela coisa que ela gostaria de realizar, que escolhe espontaneamente a hora astrológica melhor e mais significativa que rege também as coisas que concordam melhor com o objeto que se ocupa. Assim é a alma que deseja uma coisa mais intensamente, que torna as coisas mais eficientes e mais semelhantes àquilo que surge... Semelhante a este é o modo de produção em tudo o que a alma deseja intensamente. Isto é, tudo o que a alma faz, com este fim em vista, tem a força propulsora e a eficácia para aquilo que a alma deseja”, etc.


JUNG, C.G. Sincronicidade. 4ª edição. Petrópolis: Vozes, 1990.




Carl Jung (1875 - 1961) foi um médico e pensador suíço. É considerado o pai da psicologia analítica, Jung estudou o inconsciente humano e influenciou várias áreas do conhecimento com suas pesquisas.

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