quarta-feira, 10 de maio de 2017

Os Ratos, de Cesar Cardoso

Ontem ela acordou, tomou seu banho e o café da manhã, como sempre fazia. Mas, ao se levantar da mesa, foi direto para o quarto e de lá começou a esbravejar com os ratos que andavam pelo teto, entravam em seu armário, roíam suas roupas, os retratos da família e alcançavam até a fiação.
Durante todo o dia ela gritou até ficar rouca, mas os ratos riam e riam, pois sabiam que ela já estava morta e que eles nem existiam.

(conto do livro Urubus em círculos cada vez mais próximos, editora oito e meio, 2017)

Mote para o encontro do dia 16/05/2017


sexta-feira, 5 de maio de 2017

O Corpo imóvel, de Lilian Piraine Laranja

Despertou de um sonho de delírios, cujos eventos eram grotescos e encadeados em uma ordem irreal. Ao abrir os olhos, o ambiente demasiadamente branco ofuscou sua visão. Vultos se moviam, e nada compreendeu de suas vozes distantes. Escutava somente murmúrios ao invés de frases. Seu corpo estava inerte e podia sentir o peso da própria imobilidade. Aceitou aquela condição por instantes, sem qualquer queixa. Até mesmo falar lhe exigiria esforço, e o sono ainda rondava sua lucidez.
Já se esquecera do sonho. Estava sobre uma cama e lhe tiravam a camisola. Viu traços de sangue nos panos que a descobriam, vermelho escuro e seco. Especulou sobre a origem daquelas manchas. O corte que iniciara os procedimentos, seguindo protocolos aprimorados ao longo de séculos - sem dúvida, a opção mais segura. Ou teria sido um acidente, uma hemorragia imprevista, um procedimento mal executado? Aqueles vestígios a lembraram de que não havia cura possível sem algum tipo de intervenção. Não tinha conhecimento do que havia sido feito, das reais intervenções a que seu organismo fora submetido e como entenderia aqueles sinais fisiológicos.
Estava completamente nua e podia enxergar melhor, mas não encarava as pessoas que a rodeavam, não queria ver seus rostos. Sentiu uma espuma gelada em sua perna direita, a sensação desceu aos pés, que foram massageados e limpos, e depois subiu em círculos até suas coxas. Olhou as mãos que moviam a esponja e viu que eram pequenas e rápidas, cobertas por luvas brancas. Fechou os olhos porque começava a sentir uma dor aguda no abdômen. Mãos fortes a seguraram no torso e também nas pernas, deslocando seu corpo para a direita. Limparam suas costas e depois a moveram para a esquerda. Temeu a higiene no lado esquerdo onde havia sofrido a incisão.
A movimentação a cansou, ainda que fosse um procedimento feito de forma burocrática - um rito em que os tempos estavam inconscientemente marcados e se repetiam a cada paciente. Rápidos, contínuos, gelados. A ideia dessa rotina de movimentos em corpos doentes a preveniu de sentir qualquer pudor - compreendeu então que o pudor é de natureza circunstancial. O seu corpo era apenas mais um corpo. Mãos estranhas a reviraram e ensaboaram, como se fosse uma boneca, uma reprodução de ser humano, feita de uma matéria inerte. Era o que havia se tornado enquanto sofria a intervenção e sua consciência estava posta em suspenso: um corpo despertencido de si, sem vontade própria, munido apenas de suas atividades biológicas mais básicas, entregue aos profissionais. Confiara que lhe fariam o melhor, e sentiu medo de sua própria inclinação para confiar. Pareceu-lhe um mistério toda a esperança investida em uma agressão consentida e estudada, que podia dar errado.

Passaram um lenço úmido em seu rosto com delicadeza. Aquele gesto foi como um carinho, como uma mensagem de que seu corpo não era um boneco. Nem para eles. Olhou para quem estava umedecendo seu rosto e viu que era um rapaz. Falava com ela, pode entender que lhe perguntava como se sentia. Era um sinal de que expressava vida em seus olhos, o que a deixou feliz. Não conseguiu responder, ainda não estava pronta. No fundo do quarto, uma moça arrumava os lençóis e preparava uma camisola limpa. Pentearam seus cabelos, eram fios curtos e finos, ficaram arrumados para o lado de que gostava, o que a deixou encabulada e agradecida. Mas não quis pedir um espelho.

(Conto vencedor do encontro de 02/05/2017)

 Lilian Piraine Laranja nasceu em Porto Alegre, em 1982. Ama literatura e tem contos publicados em duas antologias de oficinas literárias (2005 e 2012). 





quinta-feira, 4 de maio de 2017

O ritual, por Eduardo Villela

Debaixo do banho, eu deixava as mãos percorrerem meu corpo e irem subindo devagar até o pescoço, pra começar a me esganar, com fúria. Sentia o ar ir tornando-se rarefeito. Através do box via meu rosto cada vez mais roxo, até tudo escurecer. Então ficar tudo preto. Acordava com pontapés no estômago, no peito, um soco na minha cara, e me levantava de novo para ver o olho roxo, o lábio sangrando, sentia o gosto de sangue e me lambia mais, nos lábios, pra sentir mais o sabor, com medo tudo de já ter acabado.
Mas era só uma pequena espera para me recompor de novo. Agora eu era erguida do chão por um braço em torno do meu pescoço, outro pressionando minha nuca, e me deixava enforcar enquanto recebia joelhadas nas coxas, nas nádegas brancas e nuas, que agora ganhavam contornos arroxeados enquanto a água caía quente sobre mim, a fumaça, vapor quente que saía deliciosamente do meu corpo.
Depois era um braço meu que se esticava, torcido, até que eu gritasse de dor e implorasse que parasse. Eu chorava e me sentia humilhada. Era quando tinha mais prazer.
Não consigo lembrar quando começou o ritual, mas era quase todo dia. Não fazia, nem faço também a mínima ideia de quando comecei a gostar e a implorar por mais um pouco. Ou se já gostava antes e não sabia. Só sei que era cada vez melhor e precisava disso todo dia.
Cresci procurando essa sensação de novo, uns namorados não entendiam, até fugiam. Comecei a procurar o serviço de michês, alguns faziam com prazer, outros negavam. Precisava mais e mais, sempre. Foi quando conheci Antônio, que me ensinou a prolongar o bom do ritual.
Antônio não gostava de apanhar, gostava mesmo só é de bater, era perfeito. Socos, pontapés, enforcamento, cortes, tudo precisamente orquestrado de modo a provocar cada vez mais prazer. Embora não gostasse de apanhar, Antônio parecia que sabia por intuição qual movimento, em cada segundo, me faria melhor. Ele sentia isso. Com Antônio tive os dias mais felizes da minha vida. Mas eu sabia que um dia ia acabar, e era isso que me fazia quase obrigá-lo a chegar ao limite.
Se você está lendo essa carta testamento, foi porque Antônio chegou, sim, ao limite. Eu quero que saibam que não foi homicídio, foi um acidente consentido, e eu morri feliz, muito feliz, ao lado do meu cúmplice.
Deixo tudo para ele, meu apartamento, minhas joias, tudo que tiver na minha poupança. Antônio era louco por mim.

Fique em paz e com Deus, meu amor, eu te amo.

Eduardo Villela nasceu no Rio de Janeiro, em 1979. Em 2015, foi finalista do concurso Brasil em Prosa, do jornal O Globo com a Amazon, com o conto "Genética", que está em sua página no Wattpad. Tem contos publicados nas antologias de Verso e Prosa de 2015 e 2016 realizadas pela Oficina Literária Ivan Proença (OLIP) e participou, em 2016, da antologia O Eldorado é Aqui, de histórias sobre o estado do Amazonas. Seu primeiro livro de contos, "O Interesse pelas Coisas", saiu em fevereiro pela Editora Moinhos e está disponível para venda no site da editora.

(Conto vencedor do encontro de 02/05/2017)


terça-feira, 25 de abril de 2017

O Banho, de Raduan Nassar

O BANHO

Debaixo do chuveiro eu deixava suas mãos escorregarem pelo meu corpo, e suas mãos eram inesgotáveis, e corriam perscrutadoras com muita espuma, e elas iam e vinham incansavelmente, e nossos corpos molhados vez e outra se colavam pr’elas me alcançarem as costas num abraço, e eu achava gostoso todo esse movimento dúbio e sinuoso, me provocando súbitos e recônditos solavancos, e vendo que aquelas mãos já me devassavam as regiões mais obscuras — vasculhando inclusive os fiapos que acompanham a emenda mal cosida das virilhas (sopesando sorrateiras a trouxa ensaboada do meu sexo) — eu disse “me lave a cabeça, eu tenho pressa disso”, e então, me tirando do foco da ducha, suas mãos logo penetraram pelos meus cabelos, friccionando com firmeza os dedos, riscando meu couro com as unhas, me raspando a nuca dum jeito que me deixava maluco na medula, mas eu não dizia nada e só ficava sentindo a espuma crescendo fofa lá no alto até que desabasse com espalhafato pela cara, me alfinetando os olhos na descida, me fazendo esfregá-los doidamente com o nó dos dedos, ainda que eu soubesse que eles, ardendo, anunciavam francamente o meu asseio, e não demorou ela me puxou de novo sob a ducha, e seus dedos começaram a tramar a coisa mais gostosa do mundo nos meus cabelos co’a chuva quente que caía em cima, e era então um plaft plaft de espuma grossa e atropelada, se espatifando na cerâmica co’a água que corria ruidosa para o ralo, e ela ria e ria, e eu ali, todo quieto e largado aos seus cuidados, eu sequer mexia um dedo pra que ela cumprisse sozinha esse trabalho, e eu já estava bem enxaguado quando ela, resvalando dos limites da tarefa, deslizou a boca molhada pela minha pele d’água, mas eu, tomando-lhe os freios, fiz de conta que nada perturbava o ritual, e assim que ela fechou o registro me deixei conduzir calado do box para o piso, e, ligado numa ligeira corrente de arrepios, fiquei aguardando até que ela me jogou uma ampla toalha sobre a cabeça, cuidando logo de me enxugar os cabelos, em movimentos tão ágeis e precisos que me agitavam a memória, e com os olhos escondidos vi por instantes, embora pequenos e descalços, seus pés crescerem metidos em chinelões, e senti também suas mãos afiladas se transformarem de repente em mãos rústicas e pesadas, e eram mãos minuciosas que me entravam com os dedos pelas orelhas, me cumulando de afagos, me fazendo cócegas, me fazendo rir baixinho sob a toalha, e era extremamente bom ela se ocupando do meu corpo e me conduzindo enrolado lá pro quarto e me penteando diante do espelho e me passando um pito de cenho fingido e me fazendo pequenas recomendações e me fazendo vestir calça e camisa e me fazendo deitar as costas ali na cama, debruçando-se em seguida pra me fechar os botões, e me fazendo estender meus pesados sapatos no seu regaço pra que ela, dobrando-se cheia de aplicação, pudesse dar o laço, eu só sei que me entregava inteiramente em suas mãos pra que fosse completo o uso que ela fizesse do meu corpo.

Um copo de cólera: Raduan Nassar, São Paulo, Cia das Letras, 1992. p. 21-24.

Raduan Nassar (Pindorama, 27 de novembro de 1935) é um escritor brasileiro galardoado com o Prémio Camões em 2016.
Na adolescência foi para São Paulo com a família onde cursou direito e filosofia na Universidade de São Paulo (USP). Estreou na literatura no ano de 1975, com o romance Lavoura Arcaica. Em 1978 foi publicada a novela Um Copo de Cólera, que fora escrita em 1970. Em 1997 foi publicada a obra Menina a caminho, reunindo seus contos dos anos 1960 e 1970.
Com apenas três livros publicados é considerado pela crítica como um grande escritor e comparado a nomes consagrados da literatura brasileira, como Clarice Lispector e Guimarães Rosa. Tudo isso graças à extraordinária qualidade de sua linguagem e força poética da sua prosa. Cultuado por um pequeno círculo de leitores, Raduan tornou-se mais conhecido pelo público em geral com as versões cinematográficas de Um copo de cólera e Lavoura Arcaica.
Após a sua estreia na literatura, deixou de escrever em 1984, e mudou-se para seu sítio em sua cidade natal. Atualmente mora na cidade de Buri, no interior de São Paulo. Em 2010, anunciou a doação de uma fazenda de 643 hectares em Buri para a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A fazenda Lagoa do Sino tornou-se sede do quarto campus da UFSCar, inaugurada em março de 2014.
Fonte: Wikipédia


Mote lido por André Salviano para o encontro do dia 2 de maio de 2017



O Deus da Carnificina, de Yasmina Rezza






ANNETTE                    Vocês têm outros filhos?

VERÔNICA                  O Bruno tem uma irmã de nove anos, a Camila. Que está zangada com o pai dela porque ele se livrou do hamster ontem à noite

ANNETTE                             Se livrou do hamster?

MICHEL                       Me livrei. Hamsters fazem um barulho medonho à noite. São seres que dormem de dia. O Bruno não aguentava mais, estava ficando maluco com o barulho que o hamster fazia. Para dizer a verdade, há muito tempo que eu tinha vontade de me livrar dele, aí eu pensei: não, agora chega, então eu o peguei e coloquei na rua. Eu achava que esses animais gostavam das sarjetas, dos esgotos, nada disso, ele ficou petrificado na calçada. Na verdade, não são nem animais domésticos, nem animais selvagens, não sei qual é o meio natural deles. Se forem largados numa clareira, eles também ficam tristes. Não sei onde podem ser colocados.

ANNETTE                             Deixou o pobrezinho lá fora?

VERÔNICA                  Deixou e disse para a Camila que ele tinha fugido. Mas ela não acreditou.

ALAIN                                   E de manhã o hamster tinha desaparecido?

MICHEL                                 Desapareceu.

VERÔNICA                           E você, é de que área?

ANNETTE                             Sou conselheira em gestão de patrimônio.

VERÔNICA                  Seria pedir demais… me desculpem por ser tão direta, que o Ferdinando se desculpasse com o Bruno?

ALAIN                                   Seria bom que eles se falassem.

ANNETTE                    Ele tem que se desculpar, Alain. Tem que dizer para ele que sente muito.

ALAIN                          Sim, sim, Com certeza.

VERÔNICA                           Mas ele sente muito?

ALAIN                          Ele se dá conta do que fez. Não tinha noção do tamanho do estrago. Ele só tem onze anos.


VERÔNICA                           Com onze anos, ele já não é nenhum bebê.

Tradução: Eloisa Araújo RIbeiro

(mote vencedor lido por Danielle para o encontro de 02/05/2017)


sábado, 8 de abril de 2017

Caderno de um ausente, de João Carrascoza (vídeo)


“A tua história, Bia, é o bem mais precioso que tens, ainda que não venha a ser grandiosa, é a tua história que te dará a medida de estar no mundo, ela é que exorbita ou reduz o teu valor perante ti mesma e perante a misteriosa avaliação dos outros ___ não há como te esterilizar do passado (que veio de mim e de tua mãe e já se aderiu ao teu espírito feito solda), qualquer história, enquanto se desdobra, é um reino de possibilidades, uma história, quando a escrevemos, delineia aquilo que poderia ser, nunca o que foi nem o que é, porque a memória (o passado) só se revigora se a formulamos de novo (no presente), retocando a luz de sua trama com o grafite das trevas, a tua história, Bia, há de ser mais uma cicatriz que se somará a outras nas páginas de rosto da nossa família, e eu te louvo, filha, por aqui estar, fio de água, no broto de tua nascente, pra cumprir o teu curso, e eu te peço perdão, outra vez, por não poder te poupar das chagas que te esperam lá na frente, nem ter o unguento que a amenizará a ausência, seja a minha, seja a de quem um dia te abandonar, eu não posso te dizer o contrário, que é possível a gente se curar dos outros – eu, nem de mim, até hoje, me curei – e é justo, embora seja precoce pra teu entendimento, deixar claro, que é um erro qualquer tentativa de esconder a verdade, ninguém sabe, filha, se o que bebe é água ou vinho, se só um deles provou, e, mesmo assim, há quem soube (e continuará sabendo) transformar um em outro, há quem consiga andar displicente sobre ondas em fúria, há quem consiga serenar a plateia com relatos desesperados;”
Caderno de um ausente: João Carrascoza, São Paulo, Cosac Naify, 2014. p. 53-54

João Anzanello Carrascoza (Cravinhos, interior de São Paulo, 1962) é um escritor e professor universitário brasileiro.
Estreou-se com o livro Hotel Solidão (1994). Publicou vários livros de contos, como Duas tardes (2002), Espinhos e alfinetes (2010), Amores mínimos (2011), O volume do silêncio (2006, prêmio Jabuti) e Aquela água toda (2012, prêmio APCA).
Em seu primeiro romance, Aos 7 e aos 40 (Cosac Naify, 2013), Carrascoza escreveu que “o presente é feito de todas as ausências”. Em Caderno de um ausente (Cosac Naify, 2014), essa ideia se materializa de forma contundente, alçada por um lirismo poucas vezes visto na literatura brasileira.
Fonte: Wikipédia


Mote lido por André Salviano para o encontro do dia 18 de abril de 2017


segunda-feira, 27 de março de 2017

Sapiens, deYuval Noah Harari

Lendas, mitos, deuses e religiões apareceram pela primeira vez com a Revolução Cognitiva. Antes disso, muitas espécies animais e humanas foram capazes de dizer: “Cuidado! Um leão!”. Graças à Revolução Cognitiva, o Homo Sapiens adquiriu a capacidade de dizer: “O leão é o espírito guardião da nossa tribo”. Essa capacidade de falar sobre ficções é a característica mais singular da linguagem dos sapiens.

É relativamente fácil concordar que só o Homo Sapiens pode falar sobre coisas que não existem de fato e acreditar em meia dúzia de coisas impossíveis antes do café da manhã. Você nunca convencerá um macaco a lhe dar uma banana prometendo a ele bananas ilimitadas após a morte no céu dos macacos. Mas isso é tão importante? Afinal, a ficção pode ser perigosamente enganosa ou confusa. As pessoas que vão à floresta à procura de fadas e unicórnios parecem ter uma chance menor de sobrevivência do que as que vão à procura de cogumelos e cervos. E, se você passa horas rezando para espíritos guardiães inexistentes, não está perdendo um tempo precioso, tempo que seria mais bem utilizado procurando comida, guerreando e copulando?

Mas a ficção nos permitiu não só imaginar coisas como também fazer isso coletivamente. Podemos tecer mitos partilhados tais como a histórica bíblica da criação, os mitos do Tempo do Sonho dos aborínes australianos e os mitos nacionalistas dos Estados modernos. Tais mitos dão aos sapiens a capacidade sem precedentes de cooperar de modo versátil em grande número. Formigas e abelhas também podem trabalhar juntas em grande número, mas elas o fazem de maneira um tanto rígida e apenas com parentes próximos. Lobos e chipanzés operam de forma muito mais versátil do que formigas, mas só o fazem com um pequeno número de outros indivíduos que eles conhecem intimamente. Os sapiens podem cooperar de maneiras extremamente flexíveis com um número incontável de estranhos. É por isso que os sapiens governam o mundo, ao passo que as formigas comem nossos restos e os chipanzés estão trancados em zoológicos e laboratórios de pesquisa.

Mote lido por Guilherme Preger para o encontro do dia 04 de abril de 2017