A regra - Daniel Russell Ribas
A regra Ela sempre foi clara e inviolável. Nunca mijar fora do vaso. “Isto é nojento!”, esbravejava. Então, com toda boa vontade, mirava na água. Ainda assim, acidentes ocorriam. E a quantidade não importava. Apenas uma gota era o necessário para a tempestade vir. “Porra! Tenho cara de doméstica? Gosto da casa limpa, tudo arrumado no seu lugar, aí você chega e emporcalha tudo!” A porrada comia, esta parecia ser a regra real. Tudo no seu lugar, bem ajustado: gota fora, cacete adentro. Anos e a regra, que não era dita, era tão clara quanto aquele xixi depois de beber muita água. Uma noite, cheguei bêbado. Tava puto e tomei todas. Da branquinha, desceu bem e queimando. “Porra, tá fedendo a cachaça!”, escutava na cabeça num contínuo monótono e agudo. Encarei a privada e saquei minha pistola, como um caubói de faroeste italiano. E girei o bicho em alta velocidade. Mijei a porra do banheiro todo. Gargalhei alto, como um cientista louco. Ela chegou à porta, de ...