terça-feira, 1 de agosto de 2017

Os Miseráveis, de Victor Hugo




Ser bem-sucedido, eis o ensinamento que, gota a gota, vai caindo da corrupção que avança. Diga-se de passagem, o sucesso é algo bastante repugnante. Sua falsa semelhança com o mérito engana os homens. Para a multidão o sucesso tem quase o mesmo perfil que a superioridade. O sucesso, sósia do talento, tem quem se deixe lograr: a história. Somente Tácito e Juvenal rosnaram para ele. Hoje em dia uma filosofia quase oficial entrou em intimidade com ele, enverga sua libré e lhe serve de antecâmara. Ser bem-sucedido: teoria. Prosperidade supõe capacidade. Ganhe na loteria e será considerado um homem hábil. Quem triunfa é venerado. Nasça com sorte e pronto, o resto virá por si; seja feliz, e será visto como grande. Fora cinco ou seis grandes exceções, que fazem o esplendor de um século, a admiração contemporânea não passa de miopia. O dourado passa por ouro. Ser o primeiro a chegar não prejudica nada, desde que sejamos este primeiro.


(Mote lido por Gabriel Cerqueira para o encontro de 25/07/2017)


Victor-Marie Hugo foi um escritor, político e ativista francês. Nasceu em 26 de fevereiro de 1802 em Besançon. Considerado um dos maiores escritores da história da literatura mundial, Victor Hugo sempre fora hábil com as letras e escreveu diversas obras, como odes, romances e peças, desde a juventude. A maioria de seus escritos contém sérias críticas e reflexões sobre a sociedade francesa do século XIX; não é raro observar que suas tramas servem como planos de fundo para apresentar diversas questões sociais e existenciais. Victor Hugo ficou em exílio por quase duas décadas em Bruxelas por ser contrário ao governo de Napoleão III e apenas retornou ao seu país natal quando a república fora proclamada em 1870. Em 1871 se torna deputado e em 1876, senador, cargo que exerceu até sua morte em 22 de maio de 1885 decorrente de uma congestão pulmonar. Entre algumas de suas obras mais famosas estão O Corcunda de Notre-Dame (1831), Os Miseráveis (1862), Os Trabalhadores do Mar (1866).

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