O Apocalipse dos Trabalhadores, de valter hugo mãe

o corpo do senhor ferreira já havia seguido para a morgue, e já havia sido limpa a rua do seu sangue para não continuar chocando os vizinhos. logo mais estariam as crianças passando para as escolas e era mesmo a tempo de se pôr tudo como se nada tivesse sido, para não assustar os pequenos e pacificar o povo de bragança. a maria da graça sentou-se na sala, colocou as mãos no colo sem lhes ter o que fazer. o portugal permaneceu ainda quieto, a cabeça entre as patas e o olhar como cabisbaixo. ela esperou uns minutos até que tivessem tempo para conversas. não percebeu o olhar em redor da agente quental. não percebeu imediatamente quem seria a agente quental. estavam duas mulheres no lugar, nenhuma lhe dissera palavra. quem lhe falasse, julgava,começaria por lamentar a perda. pensava que estariam ali para reconhecer o seu direito à viuvez daquele homem. bateu a mão numa perna e foi como o cão correu e se lhe enrolou no colo. ela ficou com as mãos penteando-lhe o pelo. a agente quental pergu...