A parte real e a parte imaginária - Francisco Ohana

A parte real e a parte imaginária Ao contrário do que muitos pensam, a matemática pura não é o país da solidão. Ela é um conjunto de ilhas entre as quais é preciso navegar. Mas, para navegar, são necessários instrumentos, tanto físicos – bússola, astrolábio, mastros – quanto psicológicos – capacidade de improvisação, inteligência e resistência ao isolamento. Foi isso o que disse o professor no primeiro dia de aula. Era maranhense, de baixa estatura, franzino e arredio. Distribuía folhas que ele mesmo digitava, contendo exercícios sobre números complexos, geometria analítica e trigonometria, movendo-se rapidamente entre as carteiras dos alunos e dizendo uma ou outra palavra introdutória sobre a matéria com sua voz anasalada e forte sotaque nordestino. No fim da manhã, foi abordado por um aluno com dúvidas na matéria, que acabaram por se revelar dificuldades de base. Agendaram um encontro naquela tarde para dirimir as dúvidas. As aulas de reforço particular estenderam-se até ...