Minha mulher e o meu nariz, por Luigi Pirandello

Minha mulher e o meu nariz – O que você está fazendo? – perguntou minha mulher ao me ver demorar estranhamente diante do espelho. – Nada, – respondi – só estou olhando aqui, dentro só meu nariz, esta narina. Quando aperto, sinto uma dorzinha. Minha mulher sorriu e disse: – Pensei que estivesse olhando para que lado ele cai. Virei-me para ela como um cachorro a quem tivesses pisado o rabo. – Cai? O meu nariz? E minha mulher respondeu, placidamente: – Claro, querido. Repare bem: ele cai para a direita. Eu tinha 28 anos e sempre, até então, havia considerado o meu nariz, se não propriamente belo, pelo menos bastante decente, assim como todas as outras partes da minha pessoa. Por isso era fácil admitir e sustentar o que normalmente admitem e sustentam todos os que não tiveram a desgraça de nascer num corpo disforme: que é uma idiotice se preocupar com as próprias feições. A descoberta repentina e inesperada daquele defeito me irritou como um castigo imerecido. Talve...