Noites Brancas, por Fiodor Dostoievski

Eu tinha vindo a ela de coração aberto e mal podia esperar a hora da entrevista. Não suspeitava mesmo o que devia suportar hoje, não pressentia que tudo isto acabaria de outro modo. Ela estava radiante de alegria, esperava a resposta. A resposta era ele mesmo. Ele devia vir, acorrer a seu apelo. Ela veio antes de mim, uma hora antes. No começo desatava a rir por qualquer motivo, a cada palavra minha ela ria. Comecei a falar e depois me calei. - Sabe por que estou tão contente, - disse ela – tão contente de o ver? Por que estou gostando tanto de você hoje? - Então? - perguntei, e meu coração fremiu. - Estou gostando de você porque não se enamorou de mim. Um outro no seu lugar, não é? Me importunaria, insistiria, soltaria suspiros, cairia em delíquio, enquanto que você, você é sempre gentil! Neste momento, ela apertou minha mão tão fortemente que quase gritei. Ela riu. Deus, que amigo você é! Recomeçou ela ao cabo de um minuto, muito seriamente. - Mas foi Deus que ...