Juiz de Fora, por Guilherme Preger


13:00. Faltam 13 minutos para eu sair deste quarto de pensão. A minha Missão estará cumprida se eu sair exatamente às 13:13.

Esses maçons imbecis acham que o PT roubou o número 13 deles. Eles não sabem que esses petistas são estúpidos. Os petistas acreditam nos juízes e no judiciário. Eu acredito no Senhor e em minhas mãos guiadas por Ele. A faca do Senhor está amolada na fé luminosa.  

Dizem as Escrituras que eram 12 os apóstolos mais um: Satã, que vivia sempre junto a Judas. Então Judas trouxe o 13º apóstolo. Mas há também quem diga que o 13º apóstolo era Jesus. E Satã é quem guiava Jesus e seus 12 apóstolos.

A Maçonaria é satânica. Todos sabem disso. Os estúpidos petistas acham que as elites brasileiras têm raiva deles por causa do bem que eles fizeram aos pobres. Mentira. As elites têm raiva dos petistas porque eles roubaram o número 13.

A guerra que existe no Brasil é cósmica. Não tem nada a ver com esses néscios seguidores do José Dirceu. É uma guerra de mundos. É uma guerra entre a luz e a escuridão. Entre anjos e demônios.

Esse Coiso é agente da Maçonaria. Esta é a verdade que nos liberta. Ele é discípulo do mestre satânico que usurpou a presidência. Mas a presidência não significa nada, pois é um cargo terreno. Só os petistas acreditam na presidência. O que importa são as luzes e as turbulências. Satã conhece as luzes, mas só o Senhor conhece as turbulências.  
Atravessei Minas imensa e não fiz pacto com o Coiso. Eu estou limpo. Purgado, paguei aquilo que me coube. Passei por todas as veredas. Eu fiquei vendo, observando, estudando. Eu sabia que chegaríamos onde estamos. Viver é muito perigoso.

Não adianta apenas ler as letras da Bíblia. Em cada letra da Bíblia há uma palavra, uma frase, uma oração que não se mostra. A Bíblia não acaba. Não há princípio nem fim. Só travessia. E o homem humano.

Quando cheguei nesta cidade, me achei bem acolhido. Minas é o mundo. Mas além do mundo há o céu. Os pobres veem o mundo, mas do céu veem apenas a penumbra. É preciso ver além da penumbra. Eu vi o sofrimento e vi também a chegada da tormenta. Eu sabia que tudo iria piorar.

Sou negro. Nessas terras os juízes não fazem nada por nós. Os juízes nos algemam, a nós e a nossos advogados. Os togados também são da Maçonaria. Eles são brancos. Não acredito em juízes terrenos e brancos. Só acredito no Juiz de Fora. Ele vê o Negro.

Hoje eu sou a mão terrena e negra do Juiz de Fora. O que farei será por legítima defesa. Há dias parei de tomar os remédios para dar conta desta Missão. A tormenta se aproxima e seus raios atingirão a nós, pobres e negros. Eu queria esperar pelo dia 13, mas será tarde demais. O redemoinho se agiganta.

13:13. Parto daqui para minha morte. Venceremos.

(Conto apresentado no encontro de 25/09/2018)

Guilherme Preger é um escritor anti-maçonaria. 


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