Frankenstein, ou o Moderno Prometeu, de Mary Shelley

A criatura acabou de falar, e fixou seus olhos em mim à espera de uma resposta, mas eu estava perplexo, confuso e incapaz de organizar minhas ideias para entender toda a extensão de sua proposta. Ele continuou: “Você tem que criar uma fêmea para mim, com quem eu possa viver numa harmonia compatível com as necessidades de meu ser. Isso, só você pode fazer. Eu o exijo como um direito que você não pode recursar.” A última parte de seu relato reacendera novamente minha ira, que havia se extinguido quando ele narrara sua vida pacífica entre os moradores do chalé, e, quando ele disse aquilo, já não pude conter a raiva que quiemava dentro de mim. “Eu recuso”, respondi; “e nenhuma tortura jamais arrancará de mim um consentimento. Você pode me tornar o mais infeliz dos homens, mas nunca conseguirá aviltar-me a meus próprios olhos. Criar uma outra criatura como você, cuja maldade conjunta poderia devastar o mundo? Vai embora! Já lhe respondi. Mesmo que me torture, eu jamais con...