Jair, por Poliana Paiva

Muito embora seja filho da união estável de duas mulheres hoje com 65 anos, Jair sempre foi um sensível de fachada, desses que leram Simone, gostam de Mc Carol, aplaudem o protagonismo feminino mas na hora do vamo ver, na hora que o cinto aperta, que a vontade é destra, vão lá e destilam sua condescendência auto-imune. Jair tem pau grande. E grosso. Dizem as boas línguas que se trata de um pau hábil e expressivo. Um pau democrático. Até a página dois, naturalmente, afinal, uma coisa que Jair nunca assume é sua preferência pelo padrão. Jair beija a loira de barriga negativa no chorinho de domingo de manhã na praça lotada e a mulata gorda nos cantos escuros do baile funk, onde, disfarçado de burguesia folclórica, pode abrir seu coração e ser ele mesmo. No fundo Jair queria era poder dizer aos quatro ventos que mulher, se não tivesse boceta, ele não dava nem bom dia. Mas isso pegaria muito mal e faria com que ele passasse aperto com as intelectuais que gosta de seduzir e que, ...