Mote do encontro 02/09

texto lido por Marco Antônio Martire O velho e o mar Quando o sol desapareceu no horizonte, o velho Santiago recordou, para tomar mais coragem, aquela vez em Casablanca, na taberna, quando disputara uma queda de braço com um negro enorme de Cienfuegos, que era o homem mais forte das docas. Haviam ficado um dia e uma noite com os cotovelos assentes sobre um traço de giz feito na mesa, os antebraços eretos e as mãos apertadas. Cada um deles tentava forçar a mão do outro a descer sobre a mesa. Na sala, alumiada por lampiões de querosene, havia muitas apostas entre os assistentes, que entravam e saíam, e durante todo aquele tempo ele estivera com o olhar fixo no braço e na mão do negro e também no seu rosto. Depois das primeiras oito horas tiveram de mudar de árbitros de quatro em quatro horas para que estes pudessem dormir. As unhas dos dedos dele, como também as do negro, tinham-se tornado roxas. Olhavam um para o outro, os olhos nos olhos, e para as mão...