Doutor Faustus: Autoexílio nos Trópicos, por Marcos Pedrosa de Souza
Foi no mesmo bar em que se conheceram, que os dois vieram a se reencontrar. Doutor Faustus, o mefistófeles do submundo do Rio de Janeiro, e Demétrio, o Lacan da Lapa. Não se viam há um bom tempo e se lançaram aos braços um do outro com toda efusividade em uma daquelas confraternizações de velhos e saudosos amigos. A última vez que se encontraram foi ainda durante o período de vivência intensa de suas respectivas juventudes. Era à época em que Faustus, ainda um estrangeiro na cidade, buscava sua aproximação com as figuras mais prosaicas da vida carioca. E entre estas, estava Demétrio, alguém com quem teve imediata e plena identificação. Apesar da pompa do título de doutor, Faustus era, como Demétrio, um charlatão barato, um vigarista de alta estirpe, um pilantra formado nas piores escolas da canalhice. Também tinha realizado seu curso por correspondência como o Lacan da Lapa, nosso psicanalista especializado no atendimento aos frequentadores do baixo meretrício. Só que em lugar de Vi...