10:04, de Ben Lerner

Quando nossos corpos se separaram, pensei ter visto a respiração condensada de Alena vagando pelo ar, mas o apartamento estava quente demais para isso; seja como for, corpo dela voltou à homeostase, e pelo visto muito mais rápido do que o meu. Ela levantou-se do colchão, alisou o vestido que não chegara a tirar em nenhum momento e eu me recompus e segui-a até a escada de incêndio, onde recebi as luzes do prédios mais altos que assomavam à nossa volta, todos eles envoltos em um halo agora. Alena tirou um cigarro de um maço que já devia estar em cima de uma lata de tinta cheia de areia e acendeu-o com um fósforo que risca em qualquer lugar - de proveniência obscura- na parede de tijolos externa do prédio. "Ah para com isso" eu disse, referindo-me àquela atitude descolada absurda e cumulativa. Ela bufou um pouco quando riu e depois tossiu fumaça, voltando a ser real. Ficamos conversando sobre a exposição enquanto o cigarro durou - a abertura teria início dali a uma ou duas h...