A Caixa, por Guilherme Preger

O doutor Adolfo Minguela, médico, formado na Universidade Gama Filho no Rio de Janeiro e doutor pós-graduado em Epidemologia na Freiburg Universität, na Suíça, olhou aquela caixa de caixas. Eram 100 caixas coloridas de verde e amarelo no interior da grande caixa preta. Ele pensou na antiga caixa de Pandora, que na verdade não era caixa, mas um vaso, ou uma ânfora, semelhante a uma vagina. Epitemeu abriu o vaso e de dentro escaparam os eflúvios de Pandora, que desgraçaram a humanidade. Faltou apenas a esperança que permaneceu no vaso. A esperança é aquela que permanece. A mensagem do Ministério era transparente como um comando: as caixas foram fornecidas gratuitamente, pagas por empresas que preferiram se manter no anonimato e deveriam ser distribuídas imediatamente. Os médicos precisavam enviar relatórios semanais do destino da distribuição e de quantos pacientes (na medicina não existem doentes, apenas pacientes) estavam sendo atendidos. No entanto, não havia espaço para rel...