O Espeleólogo, por Paula Giannini

Quando crescesse queria ser espeleólogo, como o avô, um rapaz de apenas 38 anos. Jovem demais para ser avô. Velho demais para ser considerado um jovem. Sempre suado, visivelmente exausto, mas disposto a contar seu dia ao neto, com um estudado sorriso e pormenores dignos da mais emocionante aventura. Assim havia sido a sua jornada de trabalho, escavara em busca de tesouros e embrenhara-se em obscuras cavernas. Sempre iluminando os buracos com a inseparável lanterninha de cabeça, igual à que dera ao menino quando este completara dez anos. - Agora você já é quase um homem. E descansava sua carrocinha de espeleologista na porta da pequena casa. Para o avô um lugar provisório, de onde assim que a vida permitisse, tiraria sua família. Para o garoto, um castelo, com seu portal adornado com imagens aladas e figuras de longas orelhas esculpidas em pedra. Coisa para gente muito rica. Coisa para os heróis. E o avô-herói retirava maravilhas do carrinho. Latinhas, anéis, medalhas com fo...