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Mostrando postagens de Janeiro, 2017

Nunca Nos Separamos do Primeiro Amor, por Marguerite Duras

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Nunca Nos Separamos do Primeiro Amor Já o disse em Hiroshima Mon Amour: o que conta não é a manifestação do desejo, da tentativa amorosa. O que conta é o inferno da história única. Nada a substitui, nem uma segunda história. Nem a mentira. Nada. Quanto mais a provocamos, mais ela foge. Amar é amar alguém. Não há um múltiplo da vida que possa ser vivido. Todas as primeiras histórias de amor se quebram e depois é essa história que transportamos para as outras histórias. Quando se viveu um amor com alguém, fica-se marcado para sempre e depois transporta-se essa história de pessoa a pessoa. Nunca nos separamos dele. Não podemos evitar a unicidade, a fidelidade, como se fôssemos, só nós, o nosso próprio cosmo. Amar toda a gente, como proclamam algumas pessoas e os cristãos, é embuste. Essas coisas não passam de mentiras. Só se ama uma pessoa de cada vez. Nunca duas ao mesmo tempo. Marguerite Duras, in "Mundo Exterior "

Mote para o encontro de 07/02/2017, lido por Walter Macedo


O desejo dos vivos, por José Fontenele

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Com afinco decidi ser santo. Interpelei o padre após a missa sobre qual escada tomar à santidade e ele sorriu da minha meninine. Disse que cometia engano por achar que uma lista de tarefas definia a santificação. Era preciso mais. Era preciso ultrapassar a linha dos homens, esta ainda invisível aos meus treze anos. Quando perguntei o que era isso o padre riu e deitou a mão nos meus cabelos ralos tomando-me inocente com vontades sem solução. Após a missa notava a vila unânime em pesares. Todos saíam silenciosos e mesmo com roupas de domingo não se escutava qualquer elogio. A Margarida me alcançava enquanto eu seguia para casa e me dizia que logo cresceríamos o bastante para nos casarmos; ela fez um coração na praia com os nossos nomes dentro e deixara um traço incompleto no desenho para que eu entrasse e se fixasse por inteiro naquela vontade. Eu respondi que não. Buscava ser santo e por isso não a protegeria na integridade daquele amor. Me interessava outro amor, um sentimento comunit…

As Cidades Invisíveis, por Italo Calvino

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- O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.
(Mote vencedor lido por Gabriel Cerqueira no encontro de 06/12/2016)

Filho de pais italianos, Italo Calvino nasceu em Santiago de Las Vegas, Cuba, em 1923. Já em sua juventude, abandonou a graduação em Agronomia pela Universidade de Turim para lutar na Resistência Italiana e foi membro do Partido Comunista Italiano. É conhecido pelos livros O Barão nas Árvores (1957), O Cavaleiro Inexistente (1959), As Cidades Invisíveis (1972), entre outros, e é considerado um dos maiores escritores italianos do século XX. Fale…

Do Alto, por Gabriel Cerqueira

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