quinta-feira, 17 de julho de 2014

Mote do encontro 29/07

Texto lido por Fernando Sousa Andrade

O louco de palestra 





Em dezembro passado, o escritor gaúcho André Czarnobai, o Cardoso, publicou um diário na revista Piauí intitulado “Pasfundo calipígia”. Salvo engano, foi a primeira vez em que se utilizou em letra impressa o termo “louco de palestra”. Imediatamente, a expressão ganhou densidade acadêmica e popularizou-se nos redutos universitários nacionais, encorajando loucos latentes e chamando atenção da saúde pública para o problema.

O louco de palestra é o sujeito que, durante uma conferência, levanta a mão para perguntar algo absolutamente aleatório. Ou para fazer uma observação longa e sem sentido sobre qualquer coisa que lhe venha à mente. É a alegria dos assistentes enfastiados e o pesadelos dos oradores, que passam o evento inteiro aguardando sua inevitável manifestação, com se dispostos a enfrentar a própria Morte.

Há inúmeras categorias de loucos de palestra, que olhos e ouvidos atentos podem identificar em qualquer manifestação de cunho argumentativo-reflexivo, com a palavra franqueada ao público.

Há o louco clássico: aquele que levanta, faz uma longa explanação sobre qualquer tema, que raramente tangencia o assunto em debate, e termina sem perguntar nada de especifico. Seu único objetivo é impressionar intelectualmente a plebe, inclusive o palestrante oficial. Ele sempre pede licença para “fazer uma colocação”.

Há o louco militante, que invariavelmente aproveita para culpar a exploração da classe dominante, mesmo que o tópico do debate seja arraiolo&bordado.

Há louco desorientado que não entendeu nada da palestra – e não vem entendendo desde o 2 serie, quando a professora lhe comunicou que o sol é a maior que terra – e, depois de circunlóquios labirínticos, faz uma pergunta óbvia.

Há o que faz questão de encaixar no discurso a palavra “sub-repticamente”: é o louco vernaculista.

Uma criteriosa tipificação do objeto de estudo não pode deixar de registrar o louco do complô, que, segundo integrantes do próprio complô, é “aquele que acredita que toda imprensa se reúne de madrugada com o governo ou a oposição para pegar uma mala de dinheiro”.

O louco adulador, que gasta os trinta segundos que lhe foram franqueados para dizer em dez minutos como o palestrante é divino. O louco deleuziano, que não sabe o que fala, mas emprega a palavra “rizoma”. E o louco pobre coitado, que pede desculpas por não saber se expressar o que não o impede de não se expressar durante minutos intermináveis.

BARBARA, Vanessa. O louco de palestra. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. 




Nasceu em São Paulo, em 1982. É jornalista, tradutora e cronista. Publicou O livro amarelo do terminal (Cosac Naify, 2008, Prêmio Jabuti de Reportagem), O verão do Chibo (Alfaguara, 2008, com Emilio Fraia), o infantil Endrigo, o escavador de umbigo (ed. 34, 2010, com Andrés Sandoval) e, pela Companhia das Letras, a graphic novel A máquina de Goldberg (com Fido Nesti).


quarta-feira, 16 de julho de 2014

um útero é do tamanho de um punho - Angélica Freitas




Recomendação de leitura por Guilherme Preger



Recomendação de leitura de “um útero é do tamanho de um punho” de Angélica Freitas

É sabido que os melhores presentes são aqueles que você mesmo gostaria de ganhar. Assim sendo, já presenteei amigos e amigas com esse livro, sem que eu mesmo o possua. Para escrever esta recomendação, tive que seguir o imperativo poético de Rimbaud e me tornei um “ladrão de fogo”, com o furto delicado de um exemplar.

“um útero é do tamanho de um punho” (Cosac Naify, 2012) é o segundo livro de poesia de Angélica Freitas. O primeiro, Rilke Shake (Cosac Naify, 2007), fez sucesso pela linguagem bem humorada, quase ou inteiramente satírica.

“um útero...” segue a mesma linha do humor e da linguagem cotidiana, coloquial.  Mas agora, dando uma cerrada unidade à obra, um assunto domina de ponta à ponta. Um tema tenso como uma mulher na TPM: a “condição feminina”.

Dito assim, parece solene,  mas como diria o poeta Carlito Azevedo na orelha do livro, Angélica relativiza o “gigantismo dos sentimentos solenes”. Como “Rilke Shake” já mostrava, a tática é a da profanação. E profanação aqui não é simplesmente negar os preconceitos, os clichês e senso-comuns, os estigmas com os quais os discursos sociais constroem a imagem feminina. Numa virada bastante contemporânea, no lugar de simplesmente os rejeitar, a poeta os assume sem pudor. Assim: “porque uma mulher boa/ é uma mulher limpa/ e se ela é uma mulher limpa/ ela é uma mulher boa. (…) uma mulher sóbria/ é uma mulher limpa / uma mulher ébria / é uma mulher suja”.

A tautologia dos enunciados de “Uma mulher limpa”, primeira seção do livro,  segue verso por verso para concluir que “é da mulher ébria e suja/ que tudo se aproveita// as orelhas o focinho/ a barriga os joelhos/ até o rabo em parafuso/ os mindinhos os artelhos”. Aqui não estamos no terreno da denúncia ou do protesto, mas também não mais da paródia modernista. É mais um pastiche, o uso do discurso “ipsis litteris”, que por repetição e similitude o exaure, mina internamente sua própria coerência e suposta racionalidade.

E seguem os poemas com sucessivas versões de “era uma vez uma mulher”: “uma mulher boa”, “uma mulher insanamente bonita”, “uma mulher sóbria”, “uma mulher que gostava muito de escovar os dentes”, “uma mulher que não se perdia”. E no final ficamos sabendo que “uma mulher incomoda”...

Seria algo como uma “desconstrução” do conceito de mulher, mas desconstrução é também uma palavra muito pesada e solene. Justamente, uma das seções do livro é “Uma mulher é uma construção”: “a mulher é uma construção/ com buracos demais// vaza”. Este poema termina com um paradoxo: “nada vai mudar// nada nunca vai mudar // a mulher é uma construção”. 

Carlito Azevedo fala sobre a desmontagem das “armadilhas da identidade” nessa poesia e, sem dúvida, é a identidade que perde sua consistência e suas demarcações em todo esse jogo poético, mas acredito que haja também um jogo entre montagem e desmontagem, criando não apenas uma ambiguidade, mas uma “indecidibilidade” entre o ser mulher e não ser. Lembremos que uma das epígrafes do livro é um trecho da canção de Brecht e Kurt Weil, “Seeräuber Jenny” (Jenny Pirata) que teve a famosa versão em português na canção de Chico Buarque, Geni e o Zepelim. As mulheres de Angélica Freitas são aquelas que, como Geni, são boas de apanhar e boas de cuspir, mas também são aquelas que a cidade confia para poder se salvar.

Não se trata apenas do reconhecimento das armadilhas da identidade, bem como antes das armadilhas da própria linguagem. Se há algo como um “feminismo” na poesia de Angélica Freitas, esse não se faz por um confronto nem com a identidade da mulher, muito menos com a do homem. A inteligência desta poesia está em localizar na própria linguagem as armadilhas de gênero e de identidade. No poema que dá título ao livro, não apenas as imagens (“um útero é do tamanho de um punho/ num útero cabem cadeiras/ todos os médicos couberam num útero”) que perdem sua consistência, ou o discurso que se trai (“uma pessoa já coube num útero/ não cabe num punho/ quero dizer, cabe/ se a mão estiver aberta/ o que não implica gênero/ degeneração ou generosidade”), mas a própria linguagem que pouco a pouco se desfaz, resvalando para uma linguagem muito pessoal, como uma “língua do pê” (ou do “i”)  íntima: “im itiri i di timinhi di im pinhi”. Linguagem afetiva que é cortada por um instantâneo de lucidez, como um soco num útero: “para que serve um útero quando não se fazem filhos”.

A boa poesia não é aquela que faz um elogio à grandeza da linguagem ou a sua profundidade insondável. Proust dizia que os bons livros são escritos numa espécie de língua estrangeira e daí Deleuze dizia que importante era o escritor se tornar um gago em sua própria língua, tornar sua própria língua estrangeira ou estranha, como uma nova língua: “... não é mais o personagem que é gago da fala, é o escritor que se torna gago da língua: ele faz gaguejar a língua enquanto tal” (Deleuze, Crítica e Clínica, Ed34, 1997).

Angélica Freitas produz, em sua língua íntima inventada, algo como um gaguejar da língua: “um útero expulsa os óvulos/ óbvios/ vermelho = / tudo bem!/ isti tidi bim/ vici ni isti grividi”. A linguagem não é em si sublime.  Há uma violência da língua enquanto máquina de discurso que nos faz recitar os “óbvios” nos quais se expressam todos os preconceitos e divisões simbólicas: “os churrascos são de marte/ e as saladas são de vênus// me dizia uma amiga que os churrascos/ cabem aos homens porque são feitos/ fora de casa // às mulheres as alfaces/ às alfaces as mulheres// que alguém se rebele e diga/ pela imediata mudança dos hábitos”.

O poeta sabe que a imediata mudança dos hábitos começa pela linguagem. A linguagem não é apenas desconstruída para que depois possamos voltar à velha linguagem dos códigos “óbvios”. É preciso sacrificar essa velha linguagem também. Na canção de Chico Buarque, após o sacrifício de Geni a cidade descansa em paz aliviada. Mas na canção original de Brecht, Jenny pede aos piratas que destruam toda a cidade. Na poesia de Angélica Freitas, o poema está como o navio dos piratas, no cais da linguagem, com seus 50 canhões apontados para ela.

terça-feira, 8 de julho de 2014

A morte de Pedro Ivo - Francisco Ohana



A morte de Pedro Ivo

Em alguns dias, meu filho decidirá morrer.

Andava às voltas com problemas de programação linear, multiplicadores de Lagrange e demais aspectos da otimização. A tradição filosófica ocidental dos últimos seis séculos me facilitara a vida, esmaecendo a cada tratado qualquer traço de humanidade no que lia. Agentes representativos, aplicações mequetrefes do cálculo diferencial – pouco importa. Encanta-me que o tratamento dos temas do sustento material do homem, que um dia se revestiu de tonalidades políticas, hoje se reduza a uma receita de bolo baseada na resolução de equações recursivas no tempo. Tudo bem, isso não faz muito sentido, nem mesmo para mim, mas a mecânica do sistema é simples: você supõe que o indivíduo age racionalmente, que não morre nunca, que possui um modelo subjacente a seu processo de decisão intertemporal de alocação de tempo entre trabalho e lazer, considerando os sinais de mercado perfeitamente refletidos nos preços. Ufa! As if it was like that. É como um goleiro que salta para defender a bola – ele não sabe, mas faz todos esses cômputos intuitivamente, conforme descrito pelo modelo. Ufa! Os pressupostos metodológicos dessas ferramentas são muito sólidos, mas sei que não importa a verossimilhança das hipóteses. Isso é Friedman. Hume. Tem gente muito séria trabalhando nisso em Minnesota, quer contrariar os caras? E digo mais. O pessoal fala de crises financeiras, essa pirralhada suja vai para as praças de Manhattan, faz greve estudantil em Harvard ou – numa versão menos civilizada de movimento social – pega de capuzes e quebra as vidraças dos bancos. Pergunto a eles se algum outro sistema levou as sociedades a este nível de bem-estar. Lembrem-se de Churchill: a democracia é o pior sistema blá blá blá. Blá blá blá. Blá. E os patetas dos amigos dos meus pais, lembro-me bem, num apartamento de Laranjeiras, bradando em defesa do regime albanês e votando no candidato comunista em 1989. Francamente, sem comentários. Risível. Ou em defesa de Havana, onde não há nem aroma de menta nas pastas de dente. Isso só pode ser brincadeira de mau gosto. A questão das liberdades ainda persiste, e a economia de mercado oferece a resposta mais conveniente de que dispomos.

Diante da minha inquietação, o sujeito arrogante a quem chamavam de médico disse que é o seguinte, o seu filho tem uma síndrome rara, síndrome de Aarskog, tem a ver com o cromossomo X e tem caráter recessivo – dá uma olhada no nível de enzimas –, o tratamento é fora do Brasil. Eu disse que pagaria quanto fosse necessário. Um garoto de seis anos, flamenguista, batia em todo mundo no play, brigava pela bola. Tudo bem, se é assim, tudo bem. O garoto estava ficando fraquinho, pequeno, a musculatura perdia a tonicidade com o tempo e a coisa podia se complicar ainda mais. Olha, eu não quero te desanimar, mas demora e os casos de sucesso somam uma probabilidade quase desprezível. Foda-se, meu caro! Foda-se! Angélica, pega o moleque e vai com ele para Chicago. Uns dias depois ela sumiu com o meninote todo pelado, sem cabelo, com olheiras e marcas vermelhas no corpo. Fiquei bastante mal com a cena. Putz – pensava eu –, quero acreditar que existe alguma racionalidade na autodestruição de um corpo infantil e jovem. Só mesmo a partir da premissa da imperfeição da criação, das mães que devoram os filhotes, tem um mito grego que come os filhos também. Não, não sei quem é, mas come. Não sei quem é. E nessa forma de ligação mais complexa entre vida e morte, tomada a natureza em seu conjunto interdependente, buscava um argumento que fosse de encontro à razoabilidade do suicídio. Vamos lá, o periquito nasce com o bico torto, os demais filhotes o bicam todo, ele não consegue comer a minhoca que a mãe periquito lhe traz, agoniza, morre, mas não tem o impulso de atirar-se do alto do ninho. Por quê, meu Deus? O destino do suicida é tido como o pior possível, mais ou menos como do sujeito que comete incesto. Em tese, não vejo grandes problemas em nenhuma das duas práticas.

Sumiram. Mãe e filho sumiram. Minha sogra foi para o estrangeiro às minhas custas, comprou chocolate, perfume, cremes para a pele – sim, a velha –, tudo às minhas custas e sob pretexto de visitar o Pedro. Num mundo de utopia deveríamos escolher quando morrer. Ou viver no problema do consumidor. Numa caixa com dois bens, decidindo entre um e outro, fazendo contas, derivando funções. Estava esgotado, mas lúcido a ponto de me deixar vencer pela lógica da eutanásia. Que é diferente do suicídio. Um deputado socialista belga propôs há alguns meses um projeto de lei que regularizaria a eutanásia infantil. Pensei, puta que pariu. Essa questão das escolhas soberanas era um problema, desde o marginalzinho que decide roubar telefones celulares, até o casal que decide batizar o filho na Igreja Católica. Por quê, meu Deus? A criança foi consultada? Foi? Que porra de sacramento é esse? Bom. Bom, bom, bom. Essas especulações me traziam maus pressentimentos.

Angélica ligou. Pedro Ivo. Disse que nosso filho preferia morrer. E morreu. Fiquei em silêncio, muito em silêncio.

Terminei por engolir todo o silêncio ao redor.


Conto escrito para o encontro de 24/06/2014





Francisco Ohana é economista e participa de atividades que o mantenham ligado às artes, principalmente literatura, teatro e música. Frequenta o clube de leitura do Baratos da Ribeiro desde fevereiro de 2014.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O Doente - André Vianna



Recomendação de leitura por Fernando Sousa Andrade 




Uma vida tem lá seus aspectos literários. Um personagem preso na malha de sua história, as vezes perdido ou não dentro de seus conflitos internos; motivado a sair deles para chegar a uma ordem serena das suas questões. No livro o Doente de André Vianna pela Cosac Naify há uma narração em 1 pessoa sendo feita num formato de depoimento gravado para (você leitor) a um jornalista. Ele diz não acreditar na psicanalise como forma de cura. E numa relação entre o narrado e o vivido pois ambos interagem durante a gravação vai surgindo uma intimidade na relação interpessoal pelo relato do narrador. Ali não há um sujeito que apenas ouve amparado por um estrutura psicanalítica. O que se fala e ouve é compartilhado em ação, na medida que ambos atuam nas trocas, ações conjuntas entre quem narra e escuta.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Mote do encontro 08/07



lido por Danielle Schlossarek

 O diário de Anne Frank 

 

Enquanto ela e eu estávamos sentadas no quarto, Margot falou que a notificação não era para papai, e, sim, para ela. Com esse segundo choque, comecei a chorar. Margot tem 16 anos – parece que eles querem mandar as garotas da idade dela para longe, sozinhas. Mas graças a Deus ela não vai; mamãe mesma tinha dito, e devia ser isso que papai quis dizer quando falou em irmos nos esconder. Esconder...onde nos esconderíamos? Na cidade? No campo? Numa casa? Numa cabana? Quando, onde, como...? Eram perguntas que eu não podia fazer, mas que ficaram girando em meu pensamento.

Margot e eu começamos a pôr nossos pertences mais importantes numa pasta da escola. A primeira coisa que agarrei foi este diário e, depois, rolinhos de cabelos, lenços, livros da escola, um pente e algumas cartas antigas. Preocupada com a ideia de ir para um esconderijo, juntei as coisas mais malucas na pasta, mas não me arrependo. Para mim, as lembranças são mais importantes que os vestidos.

(...)

Eu estava exausta e, mesmo sabendo que seria a última noite em minha cama, dormi imediatamente e só acordei quando mamãe me chamou às cinco e meia da manhã seguinte. Felizmente não estava tão quente quanto no domingo; uma chuva morna caiu durante o dia inteiro. Nós quatro vestimos tantas camadas de roupas que até parecia que passaríamos a noite numa geladeira, mas a ideia era levar mais roupas. Nenhum judeu em nossa situação ousaria sair de casa com uma mala cheia. Eu estava usando duas camisetas, três calcinhas, um vestido e, por cima disso tudo,  uma saia, um paletó, uma capa de chuva, dois pares de meias, sapatos pesados, um chapéu, um cachecol e muito mais. Estava sufocando mesmo antes de sairmos de casa, mas ninguém se incomodou em perguntar se eu estava bem.

Margot encheu sua pasta da escola com livros, foi pegar sua bicicleta e, com Miep guiando o caminho, seguiu para o grande desconhecido. Seja como for, era assim que eu pensava, já que ainda não sabia onde era o nosso esconderijo.

Às sete e meia nós também fechamos a porta; Moortje, minha gata, foi a única criatura viva de quem me despedi. Segundo um bilhete que deixamos para o Sr. Goldschmidt, ela deveria ser levada para os vizinhos, que lhe dariam um bom lar.

As camas desarrumadas, as coisas do café da manhã sobre a mesa, a carne para a gata na cozinha, - todas essas coisas davam a impressão de que havíamos saído apressadamente. Mas não estávamos interessados em causar impressão. Só queríamos sair de lá, fugir e chegar em segurança ao nosso destino. Nada mais importava.

Amanhã tem mais.


FRANK, Otto e Pressler, Mirjam (org.) O diário de Anne Frank. Rio de Janeiro, Editora Record, 2003.







Anne Frank (1929-1945) foi uma jovem judia vítima do nazismo. Morreu no campo de concentração dos alemães. Deixou escrito um diário, intitulado "O Diário de Anne Frank", que foi escrito durante dois anos que se manteve escondida em Amsterdã e acabou tornando-se um símbolo do sofrimento dos judeus no holocausto.